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CELEBRAÇÃO

Culto ecumênico dá início às comemorações de Natal

Escrito por MARINEIDE BONFIM BASTOS | Criado: Quarta, 05 de Dezembro de 2018, 19h12 | Publicado: Quarta, 05 de Dezembro de 2018, 19h12 | Última atualização em Quinta, 06 de Dezembro de 2018, 08h18

Evento aconteceu sexta-feira, 30, no campus Aracaju e reuniu alunos, professores, técnicos administrativos , colaboradores e convidados

culto ecumenico 3Emoção, confraternização e reflexão marcaram o culto ecumênico 2018 realizado pela direção-geral na manhã de sexta-feira, 30, no campus Aracaju do Instituto Federal de Sergipe. Neste ano, o diretor-geral Elber Gama reuniu a comunidade acadêmica para pensar a resiliência e a tolerância. O evento, organizado pela Assessoria de Comunicação Social, Ascom, uniu, pela primeira vez na instituição, representantes das religiões católica, evangélica, espírita e afro-brasileiras. A celebração conculto ecumenico 7tou com as apresentações da contralto Gildete Aragão e do músico e servidor do IFS, Daniel Freire.

O culto foi conduzido pelo pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, do bairro Taiçoca, Grande Aracaju, padre Adan Maurício Santos da Silva; ministro do Evangelho na Igreja Universal, pastor Anderson Guerra; diretor da Federação Espírita de Sergipe e vice-presidente da Academia de Letras Espíritas de Sergipe, Idair Montelli Reis e o professor doutor do Departamento de Museologia da Universidade Federal de Sergipe, candomblecista Fernando José Aguiar.

Durante a abertura, o professor Elber Gama definiu o encontro como um momento de reflexão e de respeito ao próximo, visando humanizar a convivência laborativa e abrandar as inter-relações pessoais e contribuir para melhora contínua do clima organizacional. “É preciso promover o bem e guardarmos os ensinamentos do nosso maior professor, o senhor Jesus, o qual enxerga o conhecimento como fonte de libertação. Que a nossa instituição, então, possa ensinar, contribuir para educar e levar à liberdade através do conhecimento”.culto ecumenico 6

RESPEITO

Em sua fala, o candomblecista Fernando José Aguiar fez referências à história e importância dos seus antepassados ao tratar de respeito, amor, resiliência e fé. Ele também parabenizou o campus Aracaju por abrir suas portas para um representante das religiões afro-brasileiras. “Penso que esta instituição dá muitos passos à frente na garantia da laicidade do estado e da educação brasileira. É muito importante esse momento aqui para todos nós que somos das religiões afro-brasileiras de Sergipe”, enfatizou.

“Os cultos ecumênicos são sempre cristãos. Eu não vejo problema em Cristo, eu não vejo problema nos cristãos. Se Deus é amor e quem ama permanece em Deus, fora do amor não existe Deus. Amar é um ato de respeitar. Quando esse Ser superior, independentemente da denominação que receba, nos criou e nos tornou diferentes foi para aprendermos que sem respeito não há amor”, acrescentou.

Ao definir religião como um ato de religar, Fernculto ecumenico 1ando disse que o ser humano não pode estar ligado ao divino menosprezando sagrado alheio e lembrou que as religiões são criações humanas pautadas nas concepções culturais e são institucionalizadas a partir de revelações ou de práticas sociais construídas. “O Deus é um só. Deus é superior a qualquer religião porque não é religião nenhuma que salva. Quem nos salva é a fé!”.

“Sejamos felizes nas nossas diferenças e que elas nos possibilite diálogos humanos, verdadeiramente cristãos, e que esses diálogos permitam mostrar o que há de melhor em nós, especialmente a capacidade de amar", concluiu.

TOLERÂNCIA

Antes de falar sobre tolerância, o espírita Idair Montelli Reis definiu o que é a intolerância. “Ela é a irmã da arrogância, prepotência, presunção e todas elas são filhas do casal vaidade e orgulho. Os grandes pensadores dizem que o orgulho é o pai, janela, a porta de todas as nossas más tendências e isso está ligado ao poder e a matéria. A única verdade absoluta nessculto ecumenico 2a vida, alguém pode até duvidar da existência de Deus, mas a única verdade absoluta é que daqui a um tempo não mais estaremos aqui. Quando nós viemos não trouxemos nada e vamos embora também sem levar nada. E mesmo assim continuamos brigando, odiando e perdendo tanto tempo nessas tais intolerâncias”, declarou.

Ao concluir seu discurso, o representante da religião espírita deixou uma mensagem de respeito à vida humana. “Você só combate intolerância, ódio, prepotência e arrogância, com amor! Amor é você se colocar no lugar do outro, na empatia; saber o que o outro sente; não fazer com o outro aquilo que não gostaria que fizesse com você, isto é amor ao próximo. Lembremos que, há dois mil anos, Jesus deixou um ensinamento: amai ao próximo como a ti mesmo”.

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O pastor Anderson Guerra fez a leitura de versículos bíblicos para ressaltar a importância da fé. “É a fé que nos faz ser resilientes para enfrentar os piores problemas, aquilo que não esperávamos estar passando, e seguir em frente!”. Ao falar da relação entre fé e a resiliência , Anderson explicou essa conexão. “A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Sem ela não chegaremos a lugar nenhum porque no meio do caminho surgem montanhas, palavras negativas, pessoas que vão dizer que você não pode, não consegue, não é capaz”.

Anderson deixou uma mensagem de esperança à comunidade acadêmica. “Eu costumo dizer que quanto maior o problema, a dificuldade, melhor a fé. Quanto mais eu ouço não, luto em busca do sim porque acima de tudo eu creio em Deus. Um novo ano está vindo e se você tiver fé , 2019 será um ano de muitas posses e bênçãos em sua vida”.

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No culto ecumênico, padre Adan Maurício Santos da Silva relatou a sua emoção em estar no campus Aracaju, antiga sede da Escola Técnica Federal de Sergipe, instituição onde o religioso estudou o ensino médio. “Para mim é motivo de grande alegria estar aqui, sobretudo por ser ex-aluno desta casa. Ingressei na ETFSE em 2002, e no mesmo ano nos tornamos CEFETSE. Em 2004, concluí o ensino médio e iniciei o nível técnico em Segurança do Trabalho, mas o seminário me convidou para iniciar os estudos eclesiásticos, por isso eu abrir mão do curso técnico e ingressei na licenciatura em Filosofia”.

O representante da Igreja Católica fez a sua exposição a partir de três reflexões: amor, respeito e fé. “Jesus nos diz: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. São Paulo nos diz: suportai-vos mutuamente no amor. Então, o amor é o fundamento de todas as relações. Quando retiramos o amor das nossas relações, elas não conseguem permanecer de pé por muito tempo. Nós somos chamados a amar os nossos familiares, colegas de trabalho, amigos e, de acordo com a ótica cristã, até mesmo os nossos inimigos, ou seja, amar aqueles que não gozam do nosso prestígio, não são tão fáceis de serem amados”.

culto ecumenico 11O nosso grande desafio, disse padre Adan, é exatamente ganharmos tempo amando, respeitando, criando comunhão, fraternidade, unidade e solidariedade e não perdermos tempo brigando, criando entre nós muros que, de alguma forma, nos separam.

A segunda reflexão foi sobre o respeito. “O papa Francisco em um dos seus pronunciamentos nos diz que não podemos olhar uns para os outros como rivais e competidores. Precisamos olhar uns para os outros como irmãos, ainda que não sejamos amigos. Irmão a gente respeita, quer bem, do irmão a gente cuida. Como seria diferente o nosso mundo se parássemos de competir uns com os outros, criar rivalidade, e fôssemos capazes de estendermos a mão uns aos outros”, declarou.

Em seu terceiro e último diálogo, o religioso falou a respeito da fé. “O mundo parece estar de cabeça para baixo e analisando o processo de desumanização, um dos fatores desse caos que estamos testemunhando, peço a vocês: cultivemos por meio da fé um equilíbrio que nos permita enfrentar as dificuldades, adversidades, tendo o amor como base das relações. A minha oração é para que Deus abençoe a todos e que tenhamos um novo ano repleto de alegria, saúde e de paz”, finalizou.culto ecumenico 10

Ao encerrar o evento, o diretor-geral do campus Aracaju agradeceu aos representantes religiosos pelas palavras que permitiram reflexões enriquecedoras e, citando o antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin, afirmou que a unidade se faz na adversidade.

Link para galeria de fotos no Flickr IFS Campus Aracaju:
https://olha.ai/VScY4

 

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