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Documentos Históricos

Escrito por Administrador | Criado: Terça, 13 de Agosto de 2019, 10h41 | Publicado: Terça, 13 de Agosto de 2019, 10h41 | Última atualização em Sexta, 16 de Abril de 2021, 10h57

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Decreto nº 7.566/1909 Criação das Escolas de Aprendizes Artífices

Decreto nº 7566 1909

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

Mudança no Nome do Patronato (São Cristóvão)

Decreto 942

 

Decreto nº 23.722, de 9 de Janeiro de 1934 - Fica transferido para o Ministério da agricultura, o patronato Agrícola de Quissamã, no Estado de Sergipe

Decreto 23722

 

Discurso de Leida Regis na Revista Alvorada - 1972

Revista Alvorada 023

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Discurso da Professora Leyda Regis, proferido no dia 23 de agosto de 1971, quando da inauguração do Auditório Pedro Braz, localizado nas dependências da Escola Técnica Federal de Sergipe, hoje Instituto Federal de Sergipe, Campus Aracaju. O discurso foi reproduzido na Revista Alvorada, o periódico encontra-se atualmente fora de circulação e o auditório foi demolido devido a obras realizadas no prédio, várias correntes artísticas apresentaram-se no seu palco sendo um grande difusor da cultura aracajuana durante a década de setenta do século vinte. O depoimento da Professora foi publicado na edição que circulou entre janeiro e fevereiro de 1972 e na transcrição da narrativa foi feita respeitando a ortografia do período.

Bem caberia, neste momento, parafrasear, com as devidas limitações de quem ousa fazê-lo, as palavras com que Mont’Alverne, o brilhante orador sacro, “realçou e triunfou” com o seu memorável “Panegírico de São Pedro de Alcântara” proferido na Capela Imperial, a convite do nosso magnânimo D. Pedro, a festa do mesmo Santo, após dezoito anos de forçado silêncio, a que o levou a cegueira súbita que o acometera:

“Não, não poderei terminar o quadro que acabei de bosquejar; compelido por uma força irresistível a encetar de novo a carreira que percorri vinte e seis anos, quando o imaginação está extinta, quando a robustez da inteligência está enfraquecida por tantos esforços quando não vejo as galas do santuário e eu mesmo pareço estranho àqueles que me escutam, como desempenhar esse passado tão fértil em reminiscências?

- É tarde!... É muito tarde!”...

Prezada e distinta Assistência:

Eu também me encontro em contingência idênticas: Acho-me num santuário, donde, doutrinados pela cartilha cívica do amor ao trabalho e ao estudo, saem os cidadãos da Pátria, assim como da Igreja surgem os cidadãos do Céu!..

Eu também percorri, por trinta e cinco anos, a fio, uma carreira que tem as asperezas e a sublimidade do Sacerdócio, não com o fulgor do Mestre, cuja luminosidade chega aos nossos dias para esplender, pelos tempos em fora, mas com o esforço perseverante de encontrar na inteligência que me negava o auxílio, o de quanto precisava para transmitir, em lições diárias, os conhecimentos que a função exigia possuir!...

Eu também sinto a imaginação, que já não era fértil, extinguir-se ao peso dos anos e aos embates da luta, e é esta deficiência, precisamente, que me impede de dizer o que sinto nesta homenagem que a generosidade dos do presente presta aos do passado, fazendo vibrar seus corações de uma emoção nova, como se as “esperanças lhe fossem à frente e os desenganos”, que já precedem a caminhada para o fim próximo, “lhe ficassem atrás!...”

Eu também “não vejo as galas do santuário”, porque o tempo vencido me jogou fora de seus muros e me cegou a visão de seu convívio em que me sentia realizada no desempenho das complexas atividades que me eram confiadas e, assim, “pareço estranha àqueles que me escutam”, como uma voz que já não tem eco, porque a distância dos anos não é mais obstáculo capaz de a fazer reproduzir...

- “É tarde!...É muito tarde!”...

Ficou-me, porém, para conforto nos cansados dias, a lembrança daqueles vividos, quando a mocidade sorria, despreocupada do tempo que passa e da velhice que chega!...

E eu me lembro muito jovem, ainda, quando, da tribuna em que me encontrava, ali, no Cinema Rio Branco, aplaudi de pé, entusiasticamente o Dr. NILO PEÇANHA, insigne fundador do ensino profissional oficializado, fazendo funcionar em cada Capital dos Estados, pelo decreto de 23 de setembro de 1909, uma Escola de Aprendízes Artífices, no instante em que, muito acertadamente, aludia a este feito, marco luminoso de uma passagem de 10 meses, apenas na Presidência da República, como alta credencial à sua pretensão de candidato ao mais elevado posto da Magistratura Brasileira, como detentor do que se tornou, depois, Chefe do Executivo do País, o Dr. ARTUR BERNARDES.

Naquele tempo, jamais pensara que um dia fizesse parte do corpo docente de uma destas Escolas e que hoje recebesse, como companheiros meus, o testemunho de apreço desta nova geração de Educadores e Educandos, unidos à Direção da que ora se intitula “Escola Técnica Federal de Sergipe”, falando-vos deste Auditório, cujo magnificência e beleza são a consequência de uma somação de devotamento e esforço do Conselho de Representantes, que tem como Presidente esse Engenheiro hábil e Professor ilustre, Dr. JORGE DE OLIVEIRA NETO, com a Direção desta Casa, na pessoa do dinâmico Educador de real mérito, Dr. IRINEU MARTIS DE LIMA.

      Caríssimos Ouvintes:

Não me proponho apresentar-vos um discurso com que, por um esforço de inteligência, não vos decepcionasse, de todo. Trago-vos um depoimento sucinto, um retrospecto da Escola, já que este dia é o das recordações. O vínculo que me uniu a esta Escola em particular, vem desde que a minha irmã mais velha, CESARTINA REGIS DE AMORIM, para prover as necessidades de assistência aos quatro irmãos menores dentre os quais estava eu, encargo que lhe ficou mal saída da Faculdade de Farmácia, com o falecimento prematuro de nosso Pai, nela serviu como professora, na gestão do Dr. Augusto Cesar Leite, êste Homem fadado a ser o realizador das grandes iniciativas, quando, na qualidade de seu primeiro Diretor, plantou como princípio de sua larga trajetória de benfeitor de sua gente, o ensino profissional em terras de Sergipe.

Adquirindo o prédio, o em que até há bem pouco funcionava com recursos próprios. 10:000$000, importância avultada no tempo, organizou e pôs a funcionar o curso primário com o de Desesenho Geométrico e o de ofícios em número de quatro: alfaiataria, sapataria, selaria e ferrária, introduzindo, assim ao conhecimento consciente de sua arte, os pequenos aprendizes no nosso Estado. Estava inaugurando o ensino profissional em Sergipe

1º de JANEIRO DE 1930

Por nomeação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, a que então, pertenciam as Escolas recém-criadas, entrava eu, após concurso a que me submeti na Escola de Aprendizes Artífices de Sergipe.

O corpo docente do Curso de Letras, como se intitulava o de Cultura Geral, era constituído da Profª efetiva. Cândida Menezes, mansa, condial e das Adjuntas Maria Cabral, a queridíssima D. Zizi, respeitada e acatada, por suas excepcionais qualidades de competência e de espírito de companheirismo, e Maria de Andrade Melo, afastada por motivo de sáude e que não mais voltou ao convívio escolar, por haver falecido, Eu ia completar o quadro dos adjuntos no cargo que se acabara de criar.

Foi o começo do meu apostolado!

Esquecida de mim mesma, apaixonada pelas atribuições do cargo que vinham satisfazer às minhas reais aspirações e ao pendor natural de instruir e educar as crianças e os jovens, fí-lo, diz a consciência, com todas as energias de que dispunha e com todo o amor, vendo neles os filhos adotivos do lar sagrado da Escola!

Quantos, por este Brasil imenso, em atividades diversas, todas úteis à Família, à Sociedade e à Pátria, não ouviram a minha pobre voz e a autorizada de Colegas de ontem, dos bancos desta escola-oficina!...e quanto nos alegra e orgulha chamar colegas àqueles que foram alunos nossos!...

E tantos que se elevaram no campo da cultura, e a quem a frase de RUY BARBORSA, de respeito a PEREIRA CARNEIRO sem me arrogar o direito de competir com este ilustre e venerado Mestre, teria o sentido real, que não o irreverentemente aplicado ao eminente Professor e Filólogo: - “Subi tanto, que perdi o mestre de vista”.

Mais tarde, entravam as que se chamavam, então, ELEONÔRA MOTTA RABELO e ALAYDE DE BAPTISTA COSTA. Formávamos uma família. Sorríamos e chorávamos juntos, na mais afetiva união de um coleguismo fraternal!...

Era Diretor, o Dr. SEBASTIÃO DE QUEIROS COUTO.

Exigente, sem ser tirano, benévolo, sem se tornar servilmente maleável, sensível, humano, cavalheiro, ainda hoje tem o seu nome gravado nos corações dos que sentiram os benéficos efeitos de sua atuação altamente eficiente, acima das condições da época.

Lutando com a parcimônia das verbas, controladas pela Inspetoria do Ensino, a que é hoje, Diretoria do Ensino Industrial, ele mesmo procurava, à medida do possível e às raias do sacrifício, remediar as deficiências para a realização do que seu idealismo inspirava.

Foi incentivador da aprendizagem e da industrialização da Escola.

Sem serviço médico, encaminhava os carentes de assistência médica aos profissionais, custeava os medicamentos e fazia, ele próprio, os curativos que se fizessem necessários.

Criada a merenda escola de escassos recursos para um melhor atendimento a uma refeição substancial, submetia-se, como prova de solidariedade, à que era destinada aos alunos, carne seca com feijão mal cozido a que eles, na sua filosofia humorística, chamavam “o ferroz”, e que a boa Clara, sufocada de fumaça do fogão a lenha, se esforçava para aprontar em tempo de ser servida ao meio dia, no pequeno intervalo entre as aulas de Cultural Geral e as de ofícios.

As matérias do Cursos de Letras, até que a reforma lhe deu caráter ginasial, Português, Geografia, História do Brasil, Educação Moral e Cívica, Aritmética, Álgebra, Mecânica de Máquinas aplicadas à arte, Escrituração Mercantil, Física, Química, História Natural (os ramos da Matemática eram estudados distintamente e Geometria pertencia à cadeira de Desenho) enchiam o horário escolar e esgotavam nossas energias físicas, exigindo pesado tributo à nossa capacidade intelectual, tanto mais quanto as quatro provas parciais e as finais eram remetidas à Inspetoria do Ensino, que apreciava a observância do programa de cada matéria e o nosso critério de julgar.

Não admira, pois que o estômago se ressentisse do esforço dispendido nessas horas de trabalho ininterrupto. E como não havia a folga de dez minutos entre uma aula e outra sendo as matérias ministradas seguidamente, nós, as professoras, combinamos roubar uns instantes para tomar um pequeno lanche, que trazíamos de casa, revezando-nos nesse provimento porque ninguém ousaria dispor, no mínimo que fosse do que já tão precariamente era reservado à Escola; e às 10 horas deixando os alunos ocupados num dever escrito, fugíamos sorrateiramente, até a cozinha, onde era servido o café em canecas de ágata. Um dia, quando, apressadamente, soprávamos a infusão que fumegava, para mais ligeiro esfriá-la e ser ingerida, vimos, de súbito, assomar à porta, imponente, impecavelmente trajando preto, indício de luto recente, a figura do Diretor.

Paramos, estarrecidas a algazarra que se fizera, mais por vergonha de ludibriar a confiança do Chefe amigo, que por receio dele. Precisara falar conosco, e jamais mandava chamar-nos à  Diretoria, indo, ele próprio, convidar-nos, e fora às salas de aulas, encontrando os alunos silenciosos cumprindo a tarefa que lhes deixáramos.

Não perguntou por nos e, depois de correr os demais salões de atividades, foi à cozinha surpreendendo-nos com sua presença.

Notando a nossa confusão, esboçou um sorriso bom e interpelou-nos com amável censura: - Será que as prezadas colegas não me darão o prazer de participar deste agrupamento tão agradável?! ...e, tomando uma caneca ao seu alcance, pediu: - Clara, sirva-me, por favor, o café, e pôs-se a mordiscar um biscoito dos espalhados no papel que servia de prato.

Entreolhamo-nos e, como se uma mola automática pusesse a funcionar, caímos todos, a um tempo, inclusive ele a rir, rir largamente, gostosamente, como crianças apanhadas numa travessura e que dela fossem liberadas, generosamente!

No outro dia, um serviço de café, em porcelana, substituía as canecas de ágata, dádiva do Diretor bondoso, e não mais trouxemos biscoitos de casa; êle no-los oferecia para o lanche das 10 horas, de que sempre participava. Era assim, o Dr. SEBASTIÃO DE QUEIROS COUTO!

Os Diretores que o sucederam, antes do Dr. PEDRO ALCÂNTARA BRAZ, Drs. PAULO PEREIRA DE ARAUJO, FÁVIO CASTELO BRANCO, ARMANDO CÉSAR LEITE E CLODOALDO VIEIRA PASSOS e, entremeando-os, como substituto eventual, e escriturário FRANCISCO AUGUSTO DE FIGUEIREDO, deixaram todos marca indelével de trabalho e dedicação à Escola, num ou noutro setor, mas, cumpre dizê-lo foi na direção de CLODOALDO VIEIRA PASSOS que ela começou a ter maior expansão, ainda que a fraternidade, que sempre existiu e que se alargara como o ingresso das excelentes amigas NIVALDA FONTES DA SILVA, MARIA DE AGUIAR BARRETO e, depois, ARACELE ANDRADE MELHO, e que se comunicara aos colegas de oficinas, sofresse certa incompreensão, não bastante, porém, para nos desagregar, porque, acima dos ressentimentos, mais alta falavam o interesse e o bom nome da Escola, cuja reputação zelávamos com carinho e amor.

Em sua gestão criaram-se o serviço médico de que foi responsável, a princípio, por contrato, o Dr. ADALBERTO VIEIRA DANTAS e com nomeação oficial, o Dr. ÁLVARO DE AZEVENDO SANTANTA, e o odontológico, confiado ao Dr. MÁRIO ANDRADE; como enfermeira, JANETE MARIÚ. Relevante benefício este para a Escola, que pode servir aos alunos no setor de saúde, tanto mais que os profissionais, além da reconhecida competência, dispensavam o melhor cuidado e escrúpulo no atendimento requerido.

Inauguraram-se a biblioteca, sob o zelo e o bom humor de CECÍLIA COSTA PINTO, e a seção de Aparelhos Elétricos e Telecomunicações, confiada ao Prof. FRANCISCO ASSIS VIANA, que se transferiu, temporariamente, da cadeira de Desenho, para fazê-la funcionar, aproveitando-se a sua habilidade e numa demonstração inconteste de espírito colaborador às grandes realizações da Escola. Veio, também, a Inspetoria de alunos para que foi nomeado MARCOS BARRETO, que, educado e correto, procurava corrigir sem ferir a dignidade humana. Estamos a ver alunos, de fuzil ao ombro em passo de marcha, contornando a área interna da Escola: eram os faltosos que cumpriam sua pena, castigo único que o maneirosos Inspetor lhes aplicava.

Não o tivemos por muito tempo entre nós; faleceu em pleno exercício de suas funções, vindo a ser substituto por AUSTROGÉSILO PORTO.

No curso de Desenho, encontramos, na efetividade, o velho Prof. FRANCISCO TRAVASSOS, auxiliado por NOEMI MADUREIRA DANTAS, integrantes da cordialidade remante em nosso grupo, êle que, formado em Ciências Jurídicas e Sociais, Odontologia e Farmácia, ostentava os três anéis de grau pendentes da corrente de relógio, que se prendia de um bolso ao outro do colete, provocando discreta hilaridade nos alunos, quando os fazia oscila, para chamar a atenção, tocando-os, levemente com o indicador direito.

Por sua morte, assumiu a cátedra o Prof. ARTUR SANTANA, trazendo uma nova fase de aproveitamento desta matéria, com seu lápis seguro de burilador do desenho ornamental e introduzindo os conhecimentos do desenho técnico. Graças à sua competência e ao poder de transmissão, muito ex-alunos exercem, proficientemente, cargos em repartições e industrias diversas e aqui se encontram, para atestá-los HUMBERTO DA SILVA MOURA  e JOINO PINHEIRO DE CARVALHO, sem excluir JOSÉ DE ANDRADE, que dignificou a cadeira, até que o estado de saúde não mais o permitiu.

As oficinas, no seu mister contínuo de aplicar as séries metódicas para a aprendizagem e de promover a industrialização permitida na época, formavam aprendizes capazes, e os artefatos, que delas saíam, eram disputados pelos aquisidores, que reconheciam neles o esmero de confecção, por custo vantajoso à economia, em relação aos vendidos na praça.

Em 1930 e durante alguns anos, não havia esta maquinaria moderna, com prodigiosa vantagem de substituir o esforço do braço humano. Na Marcenaria, a maestria do Prof. JOÃO ARTUR DE CARVALHO, os bancos primitivos as serras a mão, o formão e a talhadeira, a plaina, a verruma e a pua eram os responsáveis pela feitura aprimorada de móveis de estilo vários.

Quando o Prof. JESUINO FREIRE DE OLIVERIA, com sua dedicação e competência, auxiliado, proficuamente, por MARÇAL DE OLIVEIRA, ex-aluno, e MANUEL CORDEIRO DA SILVA, se encarregou desta seção, foi ela favorecida com algumas máquinas, que possibilitaram maior rendimento de trabalho e assim a encontraram os alunos JOSAFÁ FREIRE DE OLIVEIRA e MANUEL MESSIAS DOS SANTOS, aquele, responsável e este, auxiliar, prosseguindo naquela tarefa meritória a que se propuseram seus antecessores.

A Mecânica de Máquinas, a cargo do Prof. JOÃO NEPOMUCENO DE MENESES e, depois de FELIX MATOS e que abrangia a Serralheria com o Prof. ALBERTO MANUEL DA SILVA, em cuja direção se encontra, hoje, o ex-aluno ENOQUE SOUZA, contava, apenas com um pequeno número de máquinas obsoletas, e a Alfaiataria, sob a direção do Pro JOÃO MESQUISTA VANDERLEY, que sucedera a MANUEL ROLEMBERG MADUREIRA, e que, ao ser extinta do currículo escolar, tinha como Professores os ex-alunos JOSÉ HERIBALDO TLES DE MENEZES, Professor Chefe, CARLOS WALDEMAR BARRETO e CARMELITO LUÍS DOS SANTOS, era provida, apenas, de umas poucas máquinas de pedal. Nem por isso essas oficinas deixavam de produzir e de preparar futuros profissionais de reconhecido valor.

Na Sapataria que tinha à frente o Professor ANTÔNIO DURVAL MOREIRA, seguindo-se AGENOR DE CARVALHO e ACRÍSIO DOS REIS, ex-aluno, êste, uma só máquina movida com os pés, a sovela, o pé-de cabra e o martelo fabricavam lindos tipos de calçados que os comerciantes adquiriam e vendiam em suas lojas, como se vindos do sul do País.

Ainda por essa época, 1930, foi criada a Seção de Artes Gráficas. Um concurso, aliás, todos os funcionários, à exeção dos primeiros na fundação da Escola, a partir de 1928, eram submetidos à prova de habilitação, deu a chefia ao primeiro classificado, MANUELZINHO, como o conhecemos. Sobre ser mais um passo de progresso, mais uma porta aberta a oferecer um futuro honesto aos jovens admitidos na Escola, a aquisição que se acabava de fazer com o Colega recém-nomeado, trouxe a ela dedicado servidor, um colaborador precioso, emprestando, abnegadamente, capacidade e engenho, sacrifício e trabalho, espontaneamente e sempre que lhe fossem requisitados os inestimáveis serviços. Como auxiliar, o ex-aluno Pedro Rubens dos Santos, que, bacharelando-se em Direto, é Promotor da comarca de Aquídabã.

Desfilam no calendário das recordações, os cenários vividos no decorrer das aulas, passeando por entre as carteiras em filas, ilustrando no quadro-negro das explicações ou doutrinando de sêbre o estrado, menos vezes sentada na cátedra de Professor e muito mais de pé, para dominar e atrair melhor a atenção dos estudantes, de olhos fitos e de ouvidos atentos!

Era de ver o silencia que se fazia e a disciplina que reinava. Se uma pequena exceção turvava o ambiente de paz, não seria por falta imperdoável nem se haveria de ressentir por desrespeito que substimasse a autoridade do Mestre!...

Como é reconfortante, hoje, com os olhos pesados do sono do tempo, receber a visita de alunos, homens feitos, quase todos chefes de família, com posição definida na sociedade, vivendo, tranquilamente do trabalho honesto, com aquela atitude de reverência comovedora, como se ainda nos ouvissem no salão de aulas, reviver os anos que não voltam mais!...

E entre uma lágrima e um sorriso, vemos os desfiles em datas cívicas, ostentando ele a vistosa farda verde e branco, esperança e paz, arranco aplausos e elogios da multidão que se comprimia para vê-los passar.

Não tínhamos, ainda, o Prof. EDILBERTO REIS CUNHA na Educação Física, que fez tão belas e aplaudidas demonstrações em ocasiões outras; o então aluno, JOSINO PINHEIRO DE CARVALHO, que já se fizera credor da confiança por sua conduta irrepreensível e, certamente, por isso e por outras qualidades, foi elevado ao posto de Diretor, mais tarde, instruía-os e comandava os pelotões, marchando com garbo pelas ruas da cidade.

A revista “Sergipe-Artífice”, em que colaboravam Docentes e o Pessoal administrativo, levava, para fora dela, o que se fazia e o que se pretendia realizar.

Reporto-me, agora, à seção administrativa, toda ele em torno da figura central do velho, incansável e extraordinário companheiro, FRANCISCO AUGUSTO DE FIGUEIREDO, que, em muitas ocasiões dirigiu a Escola.

Naqueles idos de 1930, o corpo administrativo era constituído, apenas, do Diretor, êle Escriturário, o velho Espírito-Santo, sonolento, tentando controlar a Portaria e o servente HORMÍNIO BASTOS, arrastando a decrepitude, e que por isso mesmo, lhe perdoávamos os desleixos quando “passeava” o espanador nas carteiras, deixando-as, ainda, empoeiradas.

Se ao Diretor cabiam a responsabilidades da supervisão e determinação de uma escola sob regime de semi-internato, ao Escriturário competiam obrigações que ultrapassavam os deveres de suas atribuições normais: vigilância, disciplina, controle e provimento da merenda escolar, a contadoria, o almoxarifado, a biblioteca, a escolaridade e a correspondência, em geral.

Nós, as que constituíamos o curso de letras, quantas vezes, dispensávamos as horas livres das aulas e, até, retardando os que fazeres domésticos, pois sacrificávamos domingos e feriados para auxiliá-lo, na escrita. Revisando documentos antigos, encontrar-se-ão letras nossas nos livros de atas, assentamentos e protocolo.

Não havia trabalho extraordinário remunerado. Tudo que se fazia era a colaboração espontânea e consciente de quem punha o bem coletivo acima do egoístico interesse pessoal.

Ele o dinâmico CHICO FIGUEIREDO, era uma verdadeira máquina humana, um Amigo despretensioso da Escola, servindo-a por amor e com amor. Conhecia-a em todos os seus detalhes: nomes, datas e fatos tinha-os e ainda os tem de cor, em ordem cronológica, pronto a informar e foi, sempre, o braço forte dos Diretores. Este comportamento exemplar, após anos de sobrecarga e responsabilidades, sem um auxiliar, sequer, encontrou correspondência em sua irmã, a escrevente-datilógrafa, ARLINDA FIGUEIREDO DE CARVALHO, encarregada da escolaridade, tão prestativa e eficiente, tão abnegada e generosa que atraiu a estima de funcionários e alunos, sem exceção, e se fez credora do reconhecimento dos Superiores.

O movimento da Secretária, porém, aumentava; e o escriturário, DJALMA SUCUPIRA FILHO, bom amigo, bom funcionário, entrar para acudir às necessidades do trabalho acrescido. LISETE NASCIMENTO DE MORAIS, inteligente e diligente, soma os valiosos serviços de escrevente-datilógrafo e CONSTANÇA GOMES SOARES BARRETO é aproveitada do encargo junto à seção feminina, que fora extinta, nesse departamento administrativo.

Em 1975, a Escola sofreu a falta de FRANCISCO DE FIGUEIREDO, afastado por aposentadoria, sendo substituído por MARIA AMÁLIA DA SILVA, que aí está atestando sua conduta funcional.

Na Portaria, OSCAR DOS SANTOS E JOÃO BATISTA DOS SANTOS vigiavam o movimento de entrada e saída, o recebimento e o envio do expediente.

Mercê de Deus, ainda pude gozar, por algum tempo, o companheirismo salutar de ÁUREA MELO e HILDA SOBRAL DE FARIA, minhas prezadas Colegas de aulas de Português e Drs. JORGE DE OLIVEIRA NETTO, FERNANDO DE FIGUEIREDO PORTO, ambos do Curso de Desenho, que honram a Escola e dignificam a Classe.

Outros chegaram ao cerrar das cortinas de minha vida funcional; conheço-lhe o valor e os estimo, porque servem à Escola, onde encanecí, e a que dediquei os melhores dias de minha existência. Não faz muito, a providência administrativa do Dr. TEOTONÍLIO MESQUITA transferia a primitiva sede desta Escola para a que ora se encontra.

A ele, também, cabe o muito das alegrias deste dia, porque lhe deu condições de funcionamento, estendendo a rede funcional, aparelhando-a do quanto preciso para servir e crescer.

Meus colegas e meus Alunos de hoje, porque ainda tê-los quero assim.

Olhai para esta suntuosidade e comparai com que vos acabei de retratar.

Ontem, era a iniciativa, a incipiência, os tropeços da tentativa, o esforço de construir do nada, o ideal de realização!... hoje, o prosseguimento, o aperfeiçoamento, a realidade esplêndida.

Tinhamos, é verdade, na Direção do Ensino Industrial, o Dr. FRANCISCO MONTOJOS, cujos serviços prestados ao ensino profissional no País, por longos anos, foram de tal relevância que alicerçaram os empreendimentos que se venham a concretizar, de coração cheio de idealismo pelo engrandecimento da Pátria e de mãos vazias de interesse próprio. Presidentes e Ministros prestigiaram a educação profissional, fazendo-a caminhar para um futuro próximo; tendes, também, neste mesmo setor da administração pública, uma inteligência moça uma vontade equilibrada, uma capacidade construtiva, na pessoa do Prof. PAULO DUTRA, e na Pasta da Educação e Cultura, com disposições de sadio patriotismo, o Ministro JARBAS PASSARINHO, em consonância com o programa revolucionador de engrandecer o Brasil do Presidente MÉDICI, olha e vê, para sentir e prover as carências do ensino profissional técnico, alavanca do progresso na economia e na segurança da Pátria. A Lei que descentraliza as Escolas Técnicas e Industriais facilita a realização das iniciativas próprias, por seus Conselhos de Representantes e suas Diretorias.

Aproveitai a largueza desta possibilidade, que vos convida a mais produzir, para melhor colher!...

Trazei, à vossa Escola, o atrativo de um aconchego familiar, onde mesmo as rusgas constituem motivo de congregamento de um melhor ajuste de compreensão, que apaga os ressentimentos mútuos.

É a experiência que vos fala, após dilatados anos de vivência em comum!

Dr. PEDRO ALCÂNTARA BRAZ, meu último e querido Diretor, nosso Amigo!

Volvamos a um passado próximo.

Ali, no velho prédio da nossa Escola, vemo-lo irrequieto e ativo, idealizando e agind; destruindo paredes para dilatar espaços e levantando outras para construir dependências novas; adquirindo máquinas modernas para as oficinas, provendo-as do quanto preciso para seu melhor funcionamento; enchendo a biblioteca de livros técnicos e didáticos, atendendo aos reclamos dos Cursos de Cultura Geral e de Desenho; convidando técnicos da organização CBAI (Comissão Brasileiro-Americana de Educação Industrial) para orientar o ensino, promovendo cursos de especialização e estágios para os docentes; criando o Centro Técnico para organização das séries metódicas que, entregue à proficiência de HUMBERTO DA SILVA MOURA, o filho da Escola como o chamávamos, porque o mais antigo aluno, nela tendo feito toda a sua carreira funcional, a ela dedicou especial carinho, merecendo o prêmio de dirigí-la durante alguma tempo.

Vemo-lo, na sua simplicidade encantadora, fardado como se aluno fosse, olhos brilhantes da lágrima que ameaçava cair, sorriso nos lábios trêmulos de emoção, contemplando a torre de transmissão da “Rádio Escola Industrial de Aracaju”, que acabar de ajudar e erguer, cuja aparelhagem e montagem saíram da Oficina de Aparelhos Elétricos e Telecomunicações, o que iria revelar, dentro e fora do Estado, a conquista de um Diretor operoso, a perícia, a competência e a tenacidade realizadora de ALMANANÚCIO RODRIGUES SANTOS, ex-aluno e Professor Chefe da Seção.

Vemo-lo, providente e humano, melhorando a merenda escolar, com alimentação sadia, farta e variada, abolindo as canecas e os pratos de ágata e substituindo-os por xícaras de louça e bandejas metálicas, e aliviando o incômodo e as canseiras das domésticas, provendo a cozinha de um fogão a óleo.

Vemo-lo, nas páscoas coletivas, confundindo-se com os mais modestos servidores, arrastando móveis, enfileirando cadeiras, estendo fios de eletricidade, enquanto, na cozinha, as professoras e funcionários da administração de avental à cintura, ajudavam a prestimosa D. MAROCAS e suas companheiras, mexendo bolos, amassando biscoitos e sapecando os dedos ao calor de fogo. E a professor de Canto Orfeônico, ESTER GUIMARÃES, durante a Missa que se celebrava, acompanhando ao harmônio o coro dos alunos, em hinos maviosos, o que se repetiu com a maestria de CÂNDIDA VIANA RIBEIRO.

Vemo-lo prestigiando material, moral e com sua presença física as realizações do Grêmio Cultural “Prof. FRANCISCO TRAVASSOS”, que tinha, como parte integrante de seus Estatutos, competições esportivas, excursões educativas, concursos de contos, a campanha de aquisição do bom livro, o Regional “EIA”, sigla da Escola Industrial de Aracaju, em que foram descobertos valores artísticos, que atuam, com brilhantismo, no rádio e na televisão, o periódico “EIA”, para desenvolver a capacidade jornalística dos jovens, em crônicas, noticiários e comentários, e os arrasta-pés dos festejos de S. JOÃO.

Vemo-lo incentivando as exposições anuais dos trabalhos de aprendizagem, concedendo tudo que requeresse uma exibição capas de impressionar as centenas de visitantes e de elevar o conceito educacional da Escola!

Vemo-lo na Diretoria, portas escancaradas, porque aberto o coração, para receber a todos, sem distinção de classe ou função, que lhe exploravam a bondade!... Não raro, peida o auxílio de nós, funcionários, com empréstimos para prover-lhe os bolsos vazios de tanto dar!...

Escola nova de nossa velha e inesquecível Escola!

Nós te fincamos os pés em pedra firme, quando, numa tarde amena de 23 de setembro ajudamos a lançar o marco do teu surgimento!

Naquela ocasião, ao deixar, no teu sub-solo, documentos que falam de nós e do que houvéramos feito, juntamos uma Mensagem aos do amanhã e que ali ficou para que, de futuro, o passado seja um presente!

Sobretudo, nós te vimos assim como és, em tua conjuntura, porque aquele que conseguiu a terra para nela nasceres, que traçou as linhas do teu porte, que carregou as primeiras verbas para o teu crescimento e assistiu à elevação de alguns de teus órgãos, construiu-te toda em cartolina e sabão e, com os olhos, maravilhados mirava-te apaixonado, numa antevisão de que, embora vivo o corpo, os sentidos não te poderiam perceber nem gozar os efeitos de tua realidade – PEDRO ALCÂNTARA BRAZ!

Sr. Presidente e mais Membros do Conselho de Representantes.

Sr. Diretor desta Escola, componentes do corpo Administrativo.

Companheiros dos vários Cursos e Alunos.

Com a alma comovida, estamos agradecendo estes momentos de recordação e de ternura, quando tudo para nós é ausência: A mocidade que sorria ao tempo, os sonhos  que coloriam vida; a coragem que enfrentava a luta, a agilidade que acionava a inércia...somente a saudade é a presença das alegrias idas! ..

Aqui estão, respondendo o “presente” à chamada evocativa da lembrança, todos os Companheiros ausentes da vida e os dispersos pelo mundo a dentro.

Êles, como nós, que contemplamos, com os olhos, toda a magnitude desta homenagem, sentem a delicadeza do vosso gesto e curvam-se como o fazermos, à grandeza de vossa generosidade!

Mas...

...” Não, não poderei terminar o quadro que acabei de bosquejar!... – É tarde!... É muito tarde!..”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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