IFS forma 400 mulheres no programa Computadores para Inclusão; Governo Federal anuncia R$ 1,65 milhão para continuidade da ação
Solenidade em Aracaju marcou a formação de novas turmas e o reforço da política pública de inclusão digital voltada a mulheres e comunidades populares
Quando Joana Angélica Vieira Borges Alves, moradora do assentamento Emília Maria, em São Cristóvão, contou que o curso de letramento digital ajudou sua turma, durante uma das aulas, a criar um projeto de Ecoparque com uso de planilhas, redes sociais e outras ferramentas de gestão, a formatura de 400 mulheres do Centro de Recondicionamento de Computadores do Instituto Federal de Sergipe (IFS), nesta sexta-feira, 6, em Aracaju, ganhou uma síntese precisa de seu alcance. O relato deu dimensão concreta à iniciativa: mais do que ensinar a operar computador e celular, o programa passou a abrir espaço para que mulheres de comunidades populares convertam conhecimento básico em organização produtiva, circulação digital e perspectiva de renda.
O evento marcou a conclusão de novas turmas do programa Computadores para Inclusão e também o anúncio de um investimento de R$ 1,65 milhão do governo federal para ampliar a formação de mulheres e moradores de comunidades populares no estado até o fim de 2027. A nova fase da parceria entre o Ministério das Comunicações e o IFS prevê a doação de 2.500 computadores recondicionados e a emissão de 1.200 certificados em cursos ligados à inclusão digital e à sustentabilidade. A programação inclui formações em informática básica, marketing digital, montagem e manutenção de computadores, desenvolvimento de jogos digitais, design gráfico para redes sociais, internet das coisas com Arduino, tecnologias digitais na educação, pensamento computacional, laboratórios virtuais e empreendedorismo digital.
A reitora do IFS, Ruth Sales Gama de Andrade, afirmou que o instituto já capacitou mais de 2.500 pessoas e entregou mais de 1.000 computadores, desempenho que, segundo ela, permitiu cumprir em um ano metas que estavam previstas para um período maior. Para a reitora, o resultado expressa o efeito de uma articulação entre diferentes áreas do governo em torno de uma política pública voltada ao acesso à educação e à tecnologia. “Quando os ministérios se juntam, quando as pessoas se somam preocupadas com o povo, funciona, dá certo”, disse.
A ministra interina das Comunicações, Sônia Faustino, associou o programa à ampliação de oportunidades para mulheres e defendeu que a qualificação profissional e o domínio de habilidades digitais fazem parte do caminho para a autonomia. Ao falar às formandas, ela afirmou que a inclusão também depende da recusa em aceitar limites impostos pela desigualdade e pediu que as mulheres não se coloquem em segundo plano. “Acreditem em vocês. Nós podemos. Nós podemos chegar onde nós quisermos”, disse Sônia.
TV Box educativa
A
cerimônia também lançou luz sobre uma frente menos convencional do projeto: o uso da TV Box como instrumento pedagógico. No IFS, o equipamento foi adaptado e rebatizado informalmente de EduBox. Em vez do uso irregular que popularizou o aparelho, o instituto passou a utilizá-lo para armazenar aulas e conteúdos didáticos, que podem ser emprestados a alunas que não conseguem acompanhar presencialmente todas as atividades, seja por doença, cuidado com os filhos ou necessidade de reforço no aprendizado.
Ao explicar a iniciativa, Ruth Sales Gama afirmou que a adaptação foi pensada para responder à realidade concreta das estudantes atendidas pelo programa. “A gente retira a parte ilegal, coloca aulas das disciplinas que as mulheres vão assistir no curso e empresta para elas caso ela esteja doente, tenha criança ou queira reforçar o seu conhecimento”, afirmou. A experiência resume a lógica do projeto em Sergipe: reaproveitar tecnologia, ampliar acesso e transformar equipamentos em instrumentos concretos de permanência e aprendizagem.


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