Combate ao racismo compõe segundo dia de atividades da JAE
Essa etapa da programação da Jornada de Assistência Estudantil foi elaborada em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do IFS (Neabi)
O engajamento discente em temáticas relevantes à vida acadêmica segue em pauta no segundo dia de Jornada de Assistência Estudantil do Instituto Federal de Sergipe. Na manhã desta terça-feira (10), a programação teve como mote o protagonismo dos estudantes na construção de uma educação antirracista.
Para abordar o assunto, a Diretoria de Assuntos Estudantis contou com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do IFS (Neabi). As atividades foram desenvolvidas junto aos discentes pelo coordenador geral do Neabi, professor Alexandre de Oliveira, e pelos coordenadores locais do núcleo: professora Eline Santos (Lagarto e Estância); professor Gabriel Lima (Poço Redondo); professor Jonatha Santos (São Cristóvão) e o técnico em Assuntos Educacionais, Vitor Vilas Bôas (Propriá).
A dinâmica iniciou com uma palestra, ministrada pelo professor Alexandre de Oliveira; prosseguiu com relatos de experiências de estudantes de diferentes campi que atuam no Neabi; e encerrou com a divisão dos 92 alunos participantes em seis grupos, que elaboraram ideias e propostas de atividades que podem ser desenvolvidas para discutir as relações étnico-raciais e promover equidade.
Luiz Henrique Gomes cursa Informática na modalidade técnico integrado no Campus Propriá. Ele teve a oportunidade de dialogar com seus pares sobre o reencontro com seus antepassados indígenas, processo que tem se intensificado nos últimos meses. “Eu sempre soube dos meus familiares, mas, há um ano e meio, o Neabi vem me ajudando no resgate da minha ancestralidade, vem me inspirando a buscar minhas raízes e minha árvore genealógica, além de me levar a pensar a respeito de como decolonizar o saber”, explicou.
Já Ana Julia Santos estuda arquitetura no Campus Lagarto e iniciou sua jornada no Neabi em agosto do ano passado. “Em momentos específicos, sinto que precisamos de afeto e acolhimento em um ambiente com pessoas que nos enxergam e nos reconhecem e o Neabi me trouxe esse conforto no ambiente acadêmico. Me apropriei de conceitos que eu não conhecia e ligado a isso iniciei também uma pesquisa sobre símbolos Adinkras, uma forma de resgatar e reconhecer elementos da diáspora africana presentes na arquitetura, que usualmente não são trazidos na grade curricular”.
Para o professor Alexandre de Oliveira, que está à frente do Neabi desde 2022, é de essencial importância dar centralidade à pauta racial. Ele defende que não se trata de um modismo e que é primordial discuti-la no âmbito do IFS, onde 70% do corpo discente se autodeclara negro. “Ao longo do tempo, estamos avançando ao fortalecer nossas atividades e aprovar nosso regulamento. Sabemos que um grupo se faz na ação, por isso queremos ouvir essas ideias e propostas que devem se refletir também no ensino e no currículo", explicou.
Atualmente, o Neabi tem grupos em todos os campi do IFS. Os coordenadores locais presentes reforçaram o convite aos participantes da JAE. “O intuito de estarmos aqui hoje na Jornada é lembrar que o Neabi é um espaço de acolhimento e letramento e que pessoas não negras também são bem-vindas. Nós acreditamos que é na diferença que a gente cresce”, enfatizou a professora Eline Santos.
A II Jornada de Assistência Estudantil do IFS e o I Encontro de Estudantes do IFS prosseguem até quinta-feira (12), no Hotel DelMar, em Aracaju, com a participação de estudantes dos dez campi do IFS.


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