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CIÊNCIA E EQUIDADE

Mulheres ampliam presença na pesquisa e na liderança científica do IFS

Escrito por ADRINE CABRAL CASADO | Publicado: Quarta, 11 de Fevereiro de 2026, 17h25 | Última atualização em Quarta, 11 de Fevereiro de 2026, 17h50

No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, histórias de professoras e estudantes mostram como a presença feminina abre caminhos e constrói redes de apoio

Meninas e Mulheres na ciência 5Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência provoca uma pergunta essencial: quem está produzindo o conhecimento que transforma a sociedade? No Instituto Federal de Sergipe, os dados apontam crescimento da participação feminina, mas são as trajetórias pessoais que revelam o tamanho real dessa conquista.

Informações da Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão (Propex) indicam que, nos editais em execução em 2025, o Instituto conta com 145 docentes em projetos de pesquisa, dos quais 55 são mulheres. Entre os estudantes bolsistas, elas são 98 em um universo de 232.

Meninas e Mulheres na ciência 6Na gestão, a presença também avança: dos 392 cargos de liderança, 159 são ocupados por mulheres. Entre os 77 doutores em funções de gestão, 35 são pesquisadoras. No quadro geral, o IFS reúne 1.357 servidores, sendo 566 mulheres. Os números indicam movimento. As histórias mostram permanência, enfrentamento e legado.

Inspirar é tornar possível para outras

Meninas e Mulheres na ciência 2Quando iniciou a graduação em Ciência da Computação, em 2000, a professora Cristiane Oliveira sabia que estava entrando em um ambiente predominantemente masculino. O que ela não imaginava era que, anos depois, se tornaria referência para tantas meninas.

“Nunca me perturbou ser minoria, mas percebo que nem todas conseguem atravessar esse cenário com a mesma tranquilidade. Muitas chegam inseguras, se perguntando se realmente pertencem àquele espaço. Quando eu apareço como professora, coordenando projetos, falando de tecnologia, isso ajuda a desmontar a ideia de que aquele não é um lugar para elas.”

Com o Meninas Digitais – regional Sergipe, Cristiane passou a atuar diretamente na formação de novas vocações. Para ela, o impacto mais forte acontece quando a estudante começa a se enxergar no futuro.

“A coisa mais bonita é ver quando elas deixam de perguntar ‘será que consigo?’ e passam a dizer ‘eu vou tentar’. Já vi ex-alunas se tornarem professoras, pesquisadoras, líderes de equipes. É um ciclo que vai se ampliando, e saber que participei do começo de algumas dessas histórias me emociona muito.”

“Lugar de mulher é onde ela quiser. O gênero não define nossa capacidade”, professora Cristiane Oliveira. 

Permanecer muda a cultura

Meninas e Mulheres na ciência 3A professora Simone Vilela Talma entrou na pesquisa movida pela curiosidade sobre os alimentos e suas transformações. Desde 2007, sua trajetória combina produção científica, orientação e desenvolvimento regional, com graduação em Laticínios e em Química, além de mestrado e doutorado em Produção Vegetal.

“Ao longo do caminho, percebi que nós, mulheres, muitas vezes precisamos provar nossa competência repetidas vezes. A maternidade, por exemplo, traz pausas, exige reorganizações, e isso nem sempre é compreendido como parte natural da vida”, destaca Simone.

Ainda assim, Simone acredita que cada passo dado abre possibilidades coletivas. “Quando uma aluna me vê coordenando um projeto, publicando, orientando, ela entende que aquele caminho também pode ser dela. A presença feminina não é apenas simbólica, ela altera a forma como as instituições funcionam”. 


“Quando uma mulher ocupa um laboratório, outras entendem que também podem ocupar”, professora Simone Vilela. 

Transformar a ciência para transformar vidas

Meninas e Mulheres na ciência 4 ESSEPara a professora Aline de Jesus Sá Conceição, a pesquisa sempre teve endereço certo: a comunidade. Seus projetos aproximam jovens da produção científica e mostram que conhecimento também é ferramenta de justiça social.

“Muitas das meninas que chegam aos projetos nunca imaginaram que poderiam ser pesquisadoras. Quando começam a produzir dados, apresentar resultados, dialogar com a sociedade, a autoestima cresce. Elas percebem que têm voz.”

Aline sabe que a jornada feminina carrega pesos adicionais. “Existe uma expectativa social de que a mulher dê conta de tudo. Casa, família, trabalho. Isso não desaparece quando entramos na ciência. Mas continuar, apesar disso, é um ato de afirmação", ressalta. 


“Precisamos ter coragem para enfrentar as barreiras e realizar nossos sonhos”, professora Aline de Jesus. 

Continuar a corrente

Meninas e mulheres na ciÊncia 7Desde 2004 dedicada à pesquisa, a professora Lorena de Oliveira Souza Campello transformou a curiosidade que a acompanhava desde a juventude em compromisso com a formação de novas cientistas. À frente do Laboratório de História (LabHist) e de projetos de preservação do patrimônio e inovação educacional, já orientou dezenas de estudantes, a maioria mulheres, muitas delas hoje na universidade.

“Nunca caminhei sozinha. Tive referências femininas muito fortes na família e na academia, mulheres que abriram portas simbólicas e me mostraram que eu podia continuar. Essa base sustentou cada decisão que tomei", relembra Lorena. 

Ao ver antigas orientandas avançarem, Lorena enxerga a força da continuidade e o papel transformador da docência. “Cada conquista delas é coletiva. Sempre há alguém observando nossa trajetória e decidindo se também tenta. Precisamos mostrar que é possível, mesmo quando conciliar maternidade, trabalho e pesquisa parece difícil”.

“Não construímos quem somos sozinhas. Somos fruto de uma rede”, professora Lorena Campello.

Pesquisa científica como identidade

Meninas e Mulheres na ciência 1Professora do IFS desde 1995, Elza Ferreira Santos construiu uma trajetória em que ensinar, pesquisar e gerir caminham juntos. O interesse pelas mulheres e pelas relações de gênero ganhou forma ainda no mestrado, quando decidiu investigar por que tantas escolhiam o magistério. A pergunta acadêmica rapidamente se transformou em compromisso de vida.

“A partir daquele momento entendi que produzir ciência não era apenas cumprir uma exigência de titulação. Era uma forma de colaborar para melhorar o mundo, o país, a realidade das pessoas. Quando estudo mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência, populações historicamente atravessadas por desigualdades, eu também aprendo quem eu sou dentro desse processo", reflete.

Ao longo dos anos, Elza acompanhou de perto estudantes que desafiaram expectativas ao escolher carreiras técnicas e tecnológicas. Viu meninas isoladas em turmas majoritariamente masculinas e transformou essa vivência em pauta permanente de pesquisa e formação. “Essas jovens me atravessam. Quando investigamos como elas constroem suas trajetórias, estamos discutindo permanência, reconhecimento e direito de estar nesses lugares. A ciência precisa olhar para isso. Não é só sobre laboratório; é sobre vida real”. 


“Se aparecem pedras, chamem outras mulheres. Juntas, transformamos em pontes", professora Elza Ferreira.

A geração que floresce

Meninas e Mulheres na ciênciaA estudante Tânia Alves Silva dos Santos descobriu a ciência ao entrar em um laboratório ainda na graduação em Logística. A experiência redefiniu completamente seus planos. “Foi ali que percebi que pesquisar era mais do que estudar. Era produzir algo que podia impactar pessoas de verdade. Eu me encontrei nesse lugar”.

Hoje, envolvida em diversos projetos, ela fala com brilho nos olhos sobre o que aprendeu. “A ciência me desafia, me faz crescer, me mostra possibilidades que eu nem imaginava. É um privilégio poder contribuir”, relata.

Mãe de Gael, Tânia sabe que o apoio recebido foi determinante. “Se eu consegui continuar, foi porque encontrei compreensão e acolhimento. Ambientes assim mudam destinos”. 


“A pesquisa abre portas que a gente nem imaginava que existiam”, Tânia Alves. 

Compromisso que continua

O Instituto Federal de Sergipe mantém políticas de incentivo por meio do edital nº 27/2025/PROPEX/IFS e prepara, ainda este ano, um novo edital mais abrangente, ampliando o apoio à diversidade na produção científica.

No retorno às aulas, a Propex realizará um evento comemorativo e reflexivo sobre a participação de meninas e mulheres na ciência. As informações serão divulgadas em breve nos canais oficiais.

Muitas vozes, um mesmo movimento

As trajetórias de Cristiane Oliveira, Simone Vilela Talma, Aline de Jesus Sá Conceição, Lorena de Oliveira Souza Campello, Elza Ferreira Santos e Tânia Alves Silva dos Santos nascem em tempos e contextos distintos, mas se encontram em um propósito comum: tornar a ciência um espaço possível para quem vem depois. Todas carregam a experiência de ter precisado permanecer, aprender, insistir — muitas vezes conciliando desafios que extrapolam os laboratórios e as salas de aula.

Se hoje novas meninas encontram mulheres liderando projetos, orientando pesquisas e ocupando posições de decisão, é porque outras abriram passagem antes. No IFS, cada avanço individual amplia o horizonte coletivo. Assim, a ciência se constrói não apenas com dados e resultados, mas com exemplo, apoio e continuidade — uma herança viva que transforma presença em futuro.

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