Museu, pesquisa e história local fortalecem experiência formativa de estudantes do IFS
Visita técnica multicampi reuniu estudantes de Energias Renováveis dos campi Estância e Socorro em atividade que integrou história, cultura, pesquisa e patrimônio sergipano
O Ensino Médio Integrado vai além da formação técnica. Ao articular conhecimentos científicos, culturais e humanísticos, busca ampliar a compreensão dos estudantes sobre a sociedade e o território em que estão inseridos. Com esse propósito, estudantes do 3º ano do curso técnico integrado em Sistemas de Energias Renováveis dos campi Estância e Socorro participaram, no dia 27 de maio, de uma visita técnica ao Museu da Gente Sergipana, em Aracaju.
Promovida pelo Laboratório de História (LabHist) do Campus Estância, em parceria com a Associação Nacional de História – Seção Sergipe (ANPUH Sergipe), a atividade reuniu cerca de 65 estudantes, professores das áreas de Ciências Humanas e Linguagens e integrantes do laboratório em uma experiência que articulou ensino, pesquisa, extensão e patrimônio cultural.
A programação incluiu visitação ao espaço museal e palestra do professor e pesquisador Jeferson Augusto da Cruz, presidente da ANPUH Sergipe, sobre o livro Aracaju em páginas periódicas: a capital de Sergipe em Fon-Fon e O Malho (1902-1926). A obra analisa fotografias, caricaturas e representações da capital sergipana em revistas ilustradas publicadas no início do século XX, discutindo aspectos da imprensa, da modernização urbana, da cultura visual e das transformações sociais durante a Primeira República.
Segundo a coordenadora do Laboratório de História e professora do Campus Estância, Lorena Campello, a atividade foi pensada para estabelecer conexões entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e a história local, aproximando os estudantes da pesquisa histórica produzida em Sergipe.
“Estamos estudando a Primeira República brasileira e a visita tem justamente o objetivo de fazer essa interlocução entre a história do Brasil e a história local. É uma forma de aproximar os estudantes das pesquisas desenvolvidas sobre Sergipe e de fortalecer o sentimento de pertencimento, valorizando a história do nosso estado”, destacou.
Além da dimensão histórica, a ação promoveu a integração entre estudantes e docentes dos campi Estância e Socorro do Instituto Federal de Sergipe (IFS), fortalecendo o intercâmbio de experiências e o diálogo multicampi. A atividade também contou com a participação de professores de diferentes áreas do conhecimento, como História, Filosofia, Geografia e Língua Portuguesa, ampliando as possibilidades de reflexão sobre os temas abordados.
Formação integrada e interdisciplinar
A iniciativa evidencia uma das características do Ensino Médio Integrado ofertado pelo IFS: a formação que articula conhecimentos técnicos, científicos e humanísticos. Embora vinculados a um curso da área tecnológica, os estudantes tiveram a oportunidade de aprofundar reflexões sobre história, cultura, identidade e patrimônio, ampliando sua compreensão sobre a sociedade e o território em que estão inseridos.
A proposta interdisciplinar esteve presente durante toda a atividade. Para a professora de Língua Portuguesa Emille Mattos, o contato com os elementos culturais presentes no museu contribui para o estudo da língua e da identidade sergipana.
“Quando falamos de língua, falamos também de cultura e identidade. O museu permite conhecer expressões, sotaques e formas de falar que fazem parte da construção cultural de Sergipe. Isso contribui para discussões sobre variação linguística e ajuda os estudantes a compreenderem a diversidade presente na língua portuguesa”, afirmou.
Pesquisa histórica e valorização da história de Sergipe
Durante a palestra, o professor Jeferson Augusto da Cruz apresentou resultados de sua pesquisa sobre as representações de Aracaju em periódicos ilustrados publicados no Rio de Janeiro entre 1902 e 1926. O estudo evidencia como a capital sergipana era retratada nacionalmente em um período marcado por transformações urbanas, sociais e culturais.
Para o pesquisador, iniciativas como essa são fundamentais para aproximar os jovens da história local e despertar o interesse pela pesquisa.
“É muito importante apresentarmos nossas pesquisas sobre Sergipe e Aracaju para que os alunos conheçam a história do seu estado e busquem cada vez mais aprofundar seus estudos. A história de Sergipe está interligada à história do Brasil, e compreender essas conexões é fundamental para a formação dos estudantes”, ressaltou.
A palestra permitiu que os participantes refletissem sobre a utilização de fontes históricas, a produção do conhecimento científico e as diferentes formas de representação da sociedade sergipana ao longo do tempo, aproximando os estudantes da pesquisa histórica e da produção historiográfica contemporânea.
Aprendizagem além da sala de aula
Para muitos estudantes, a visita representou uma oportunidade de conhecer mais profundamente a cultura sergipana e estabelecer relações entre os conteúdos estudados e a realidade local.
A aluna Clara Beatriz, do Campus Estância, destacou a importância da experiência para ampliar seus conhecimentos sobre o estado. “Estou conhecendo coisas que eu não sabia e percebendo quantas diferenças existem na cultura, nos sotaques e nas tradições. É um aprendizado que posso levar para outros lugares e compartilhar com outras pessoas”, comentou.
De acordo com Lorena Campello, as visitas técnicas são importantes porque ampliam as experiências de aprendizagem e demonstram que o processo educativo não está restrito ao ambiente da sala de aula. “A visita técnica possibilita trabalhar conteúdos de forma mais significativa, promover a interdisciplinaridade e desenvolver habilidades que vão além do currículo. Os estudantes aprendem a se relacionar com espaços de memória, patrimônio e cultura, vivenciando experiências que enriquecem sua formação acadêmica e cidadã”, enfatizou.
A iniciativa integra as ações desenvolvidas pelo Laboratório de História do IFS Campus Estância, que busca articular ensino, pesquisa e extensão por meio de projetos voltados à valorização da história local, da memória e do patrimônio cultural sergipano.



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