Projeto Laboratório Vivo utiliza Estância como espaço de aprendizado
Iniciativa promove integração entre território, modos de vida e experimentação socioespacial
Por Carole Ferreira da Cruz
A integração entre território, modos de vida e experimentação socioespacial move o projeto ‘Estância como Laboratório Vivo’: uma ação pedagógica interdisciplinar do Instituto Federal de Sergipe (IFS) que utiliza o município estanciano como espaço de aprendizagem. O objetivo é promover um aprendizado significativo, estimular o protagonismo estudantil, o pensamento crítico e a compreensão do espaço geográfico vivido.
A proposta articula teoria e prática por meio de oficinas, saídas de campo e produção de registros sobre o território e tem como lastro diferentes abordagens da história, educação ambiental crítica e educação antirracista. As atividades ocorrerão durante o ano de 2026 tanto no município quanto nas dependências do IFS – Campus Estância, em horários compatíveis com as turmas participantes.
O “start inicial” foi a Oficina de Linguagem Audiovisual realizada nos dias 7 e 8 de maio, a cargo da servidora Lu Silva. A atividade abordou técnicas básicas de registro em fotografia e vídeo para documentar ações planejadas e despertar o olhar dos estudantes sobre o cotidiano, entender a linguagem audiovisual e suas possibilidades. Ao todo, 32 alunos aprenderam sobre enquadramento, foco, iluminação, composição e narrativas visuais em diferentes ambientes.
No dia 11 ocorreu outra oficina: Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe e sua Complexidade Político-Social, ministrada pela liderança Wellington Quilombola. A atividade promoveu reflexões sobre memória, identidade, resistência e territorialidade das comunidades tradicionais e aproximou 58 estudantes de outros saberes e de uma história de Estância contada a partir da vivência de sua própria gente, que constrói o território com força, cultura e resistência.
Aprovado no Edital da Pró-Reitoria de Ensino nº 01/2025/DEPS/PROEN, o projeto é coordenado pela professora de Geografia, Eline Almeida Santos, e busca integrar ensino, pesquisa e extensão para fortalecer o vínculo com a comunidade local. Participam da iniciativa os estudantes do 2º ano dos cursos técnicos integrados de Eletrotécnica, Edificações, Sistemas em Energias Renováveis e Programação de Jogos Digitais, além de monitores e dos professores colaboradores Talita Machado, Gabriel Dienstmann e Horimo dos Santos.
PROTAGONISMO ESTUDANTIL
Para Eline Santos, o projeto aproxima o IFS da realidade estanciana e transforma a cidade num espaço de aprendizagem mais dinâmica, prática e significativa. “A proposta leva as atividades para além da sala de aula, envolvendo os estudantes em pesquisas, visitas de campo e no diálogo com a comunidade e lideranças locais. Além disso, valoriza o protagonismo estudantil em todas as etapas das ações, desde a produção de materiais e registros até os debates e articulações”, destacou.
Também estão previstas oficinas de mapas mentais, com foco na interpretação da paisagem, e de cartografia digital, voltada à exploração virtual da cidade. Essas atividades irão subsidiar as visitas técnicas e análises dos alunos em áreas como Porto d’Areia, Cidade Nova, Bomfim, Santa Cruz e Vila Operária e Centro Histórico. As ações culminarão na produção de trilhas interpretativas urbanas: percursos educativos que utilizam a observação e a vivência do espaço para estimular a compreensão da realidade local e promover a sensibilização ambiental e o diálogo entre conhecimentos, memória, cultura e território.
NOVO OLHAR
Os monitores já despertaram para um novo olhar sobre o território. “Em Estância, muita gente só lembra do Barco de Fogo, do São João e das festas juninas, mas esquece de tudo que existe por trás disso, como as comunidades, a cultura e a história. O projeto ajuda a gente a conhecer melhor a nossa cidade e a valorizar mais o lugar onde vive. Mostra que Estância não é só festa, mas um lugar com muita coisa que ainda precisa ser descoberta e melhor entendida", relatou Anna Victória Correia, 16, do curso de Eletrotécnica.
A monitora Lorenna Alves Bispo, 16, do curso de Edificações, está muito empolgada com a iniciativa. “Tem sido uma experiência muito interessante e diferente, porque estou aprendendo na prática, saindo um pouco da rotina da sala de aula. O projeto é importante porque ajuda a valorizar a cultura local e faz a gente se sentir mais conectado com o lugar. Além disso, incentiva a curiosidade, a observação e o respeito pelas diferentes formas de viver, tornando o aprendizado mais significativo", afirmou.
Esse impacto sobre os estudantes é ressaltado pelo professor de História, Gabriel Dienstmann. “Através de participação de lideranças locais e de estudos que atravessam diversos conteúdos se torna possível perceber aspectos do território que acabam silenciados e invisibilizados. Conseguimos acessar a força das nossas lideranças políticas e comunitárias, o quanto a sua luta é fundamental para construir as políticas de preservação dos rios e do meio ambiente como um todo, para conquistar melhores condições de vida, de trabalho e melhores oportunidades para a população, sobretudo negra e periférica”, avaliou.


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