Novo curso de Letras prioriza construção coletiva
Marcos iniciais são projeto pedagógico arrojado, engajamento dos professores e protagonismo estudantil
Por Carole Ferreira da Cruz
A Licenciatura em Letras do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Estância está prestes a encerrar o primeiro semestre com importantes marcos para o processo de consolidação do curso. O sentimento de pertencimento e de construção coletiva, o projeto pedagógico arrojado, o engajamento dos professores, o protagonismo estudantil e a busca de parcerias institucionais para o fortalecimento de uma rede de cooperação acadêmica são as grandes conquistas iniciais.
Primeiro curso de humanidades do IFS, a Licenciatura em Letras já nasceu com o diferencial de ter construído um Projeto Pedagógico de Curso (PPC) que entende a linguagem como instrumento de transformação social ao articular trabalho, cultura, ciência e tecnologia de modo a atuar de forma crítica e inovadora nos processos de ensino-aprendizagem. Esses são os pilares da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), em consonância com o eixo tecnológico de Desenvolvimento Educacional e Social.
O pioneirismo se estende às novas diretrizes nacionais relacionadas à educação à distância (EaD), estágios obrigatórios e curricularização da extensão. “Temos um PPC vanguardista, diverso e amplo em termos epistemológicos e políticos. Somos um curso atualizado em termos normativos, da legislação e dos marcos que regulam os cursos superiores, principalmente as licenciaturas, além de contar com professores competentes de vários lugares do Brasil e da América Latina. Isso enriquece, traz diversidade e amplia visões sobre as literaturas, as linguísticas e a educação”, destacou o coordenador do curso, Daniel Sanchez.
Marcos iniciais
Já nas primeiras semanas de aula, no mês de março, os instrumentos para possibilitar a participação coletiva foram garantidos com a criação do Colegiado do Curso e do Núcleo Docente Estruturante (NDE): duas instâncias fundamentais para a estruturação institucional de ações administrativas e acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão que caminhem de forma articulada e coesa no sentido de construir um curso robusto, democrático e de qualidade.
O envolvimento da comunidade nos processos de decisão tem sido motivante. “Percebo que há um sentimento muito positivo de construção coletiva. Por se tratar do primeiro curso de humidades do IFS, isso provoca um senso de responsabilidade e engajamento. Um dos aspectos que mais me chama a atenção é o grande interesse dos discentes pelas discussões sobre a profissionalização docente. Para este primeiro ano, acredito que será importante a aprovação de projetos de iniciação à pesquisa (PIBIC); a adesão ao programa de iniciação à docência (PIBID); e a implantação completa do Laboratório de Linguagens”, avaliou o professor João Paulo Lima Cunha.
A aula magna ocorreu em maio e foi ministrada pela destacada professora e pesquisadora na área de mediação de leitura e bibliotecas escolares Mariana Cortez, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O evento foi realizado em parceria com o Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe (PPGL/UFS). Aliás, as parcerias institucionais têm sido a tônica desses meses iniciais e a perspectiva é fortalecer ainda mais o diálogo com outras instituições do Brasil e da América Latina.
O envolvimento em eventos acadêmicos é outra prioridade. Os estudantes participaram em maio da II Semana de Extensão do PPGL, que reuniu oficinas, minicursos e rodas de conversa voltados às áreas de tecnologias sociais, linguística e direitos humanos. Em seguida, no mês de junho, a turma prestigiou a I Feira da Indústria e Integração Científica de Estância (FIICEST) com o cine-debate sobre o documentário "Pra não passar em branco: narrativas de estudantes com deficiência na EPT" - Educação Profissional e Tecnológica.
Novos projetos
Os próximos passos são a realização da I Semana de Letras e a implantação de projetos de pesquisa e de extensão no segundo semestre de 2026 junto às escolas de Estância, que já começaram a contratar estudantes do curso com estagiários. Para além da articulação com a comunidade da Região Sul e as universidades brasileiras, a internacionalização é um dos eixos da gestão na busca por ampliar as oportunidades para os alunos, de modo a aproveitar o fato de o coordenador do curso ser colombiano.
Os estudantes vêm como promissoras as perspectivas de futuro. “Creio que o curso é uma grande novidade em se tratando da trajetória do próprio Instituto Federal em Sergipe. É um passo que o IFS dá no sentido de ampliar sua abrangência e oferta agora para a área de Linguística, Letras e Artes. Estou muito feliz em participar da primeira turma, penso que é um desafio para todos, alunos e professores, já que não há referência antes de nós. Então, ao mesmo tempo, temos a oportunidade de descobrir juntos, de fazer juntos e colaborar na construção do curso”, opinou Diogo Teles.
O colega de turma, Diogo Lima Guimarães, também está entusiasmado. “O diferencial está no fato dos professores quererem formar excelentes profissionais da educação. Eles vêm que nós podemos ir além de onde estamos, eles enxergam um potencial na pessoa que é muito inspirador. A minha motivação é ver que eu estou iniciando essa jornada, porque outras pessoas talvez possam olhar para a turma e pensar: ‘caramba, eles abriram o espaço para que a gente pudesse passar’. Ver que todos estão confiando e acreditando em cada um é algo que dá mais forças para continuar a caminhada”, afirmou.


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