Campus Socorro recebe Pretagonistas e evidencia a força da africanidade sergipana
Exposição possibilita uma educação visual para os visitantes
Uma exposição que evidencia a força da africanidade sergipana; que mostra o talento e a criatividade de artistas negras. Essa é a Mostra de Artes PRETAGONISTAS: Mulheres negras, patrimônio vivo e contemporaneidade, que está aberta ao público de segunda a sexta, até o dia 30, na galeria Salobra, do Campus Socorro.
A Mostra reúne artistas mulheres negras que, por meio das artes visuais, constroem narrativas sobre ancestralidade, existência e protagonismo. Cada obra apresentada é um gesto de criação que afirma histórias, estéticas e experiências que atravessam a vida das mulheres negras. “Mais do que uma exposição artística, a Mostra Pretagonistas: Mulheres negras, patrimônio vivo e contemporaneidade é um espaço de encontro, visibilidade e celebração da potência criativa de mulheres negras nas artes visuais em Sergipe”, evidencia o Coletivo Estesia, que deu vida à exposição.
Para o diretor do campus, professor José Franco, essa é uma exposição necessária. “O Campus Socorro é o campus do IFS com o maior número de alunos negros – negros e pardos. O Campus Estância é o que possui maior número de alunos negros retintos –. Daí nós precisamos mostrar, reafirmar a cultura africana, mostrar a importância da cultura africana, mostrar a importância de tirar a mulher da invisibilidade, trazer a mulher negra artista para a galeria e ocupar esse espaço que também é delas. Então foi nesse sentido e também de aproximar os nossos alunos de artistas negras, de fazê-los se reconhecerem também”, explicou.
Ainda de acordo com o diretor, foi pensando nesse contexto que o campus integrou a comunidade acadêmica na exposição. “A galeria tem uma agenda para receber escolas públicas e privadas da região e são nossos alunos através de visita guiada que passam os objetivos e apresentam a exposição”, revelou.
Sabrina Carvalho é professora de Sociologia e também coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do campus Socorro, além de estudar as questões das relações étnico-raciais. Para ela, a exposição é uma oportunidade de se ver. “ Nós aqui do campus fomos agraciados com a exposição pretagonistas, que tem como objetivo expor para a comunidade, tanto interna quanto externa, a força da africanidade sergipana, principalmente a produção cultural promovida por artistas que são negras, estilistas e tantas outras. Então, isso é possibilitar uma educação visual. Nós temos um número significativo de estudantes negros. Negros que nós sabemos, conforme o Estatuto da Igualdade Racial, são pessoas pardas e retintas, negros retintos. Estamos aqui justamente proporcionando à comunidade de Socorro uma possibilidade de se autover mesmo, de se autoenxergar nessa arte”, disse.
A coordenadora no NEABI do campus ainda disse que a exposição tem outros significados e importância. Pois dialoga diretamente com a questão do que é ser adolescente negro. “No dia da abertura eu representei o nosso diretor Franco e teve uma fala que muito me emocionou, porque da década de 90 para 2020 nós vivenciamos uma revolução sobre o que é ser um adolescente negro. Se vocês forem olhar fotos de uma sala de aula dessa época, vocês vão encontrar estudantes que tiveram cabelos alisados e hoje nós temos a vivência de presenciar estudantes, meninas e meninos dentro de uma identidade de uma negritude possível, uma negritude respeitada. E esse respeito é o reflexo inclusive do que eles podem encontrar quando eles estão aqui dentro do Campo Socorro. Eles podem verificar, desde a arte com Beatriz Nascimento, na biblioteca, até uma força do que é, por exemplo, a produção de uma roupa afro que tenha uma ligação com religiosidade, como vemos aqui nessa exposição. Essa possibilidade ímpar de que nós estamos oferecendo nada mais é do que o reflexo da vida deles mesmos, do cotidiano deles”, finalizou Sabrina.
Galeria Salobra
A Galeria Salobra é um ponto de cultura registrado no Ministério da Cultura e está aberta para todos os artistas. “Artistas visuais, escultores, artistas de uma maneira geral aqui da região do Socorro, haja vista que o município não tem espaços públicos; é muito limitado”, disse o diretor José Franco.
O espaço serve como ponto de criação, troca e vivência artística, frequentemente associado ao "Coletivo Piabetá" dentro do campus, promovendo arte, cultura e expressão em movimento, alinhando-se a políticas de valorização artística e integrando o cotidiano escolar com a arte visual.


Redes Sociais