Essa pagina depende do javascript para abrir, favor habilitar o javascript do seu browser!
Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Últimas Notícias > Destaque > O trabalho que ninguém percebe quando dá certo
Início do conteúdo da página
REPORTAGEM ESPECIAL

O trabalho que ninguém percebe quando dá certo

Escrito por GERALDO BULHOES BITTENCOURT FILHO | Publicado: Terça, 22 de Setembro de 2026, 07h53 | Última atualização em Terça, 22 de Setembro de 2026, 11h19

Entre máquinas, água, concreto e sistemas, estudantes aprendem a reconhecer sinais antes que falhas produzam consequências

Sônia 2Esta reportagem começa pelo que não aconteceu. Em um projeto de pesquisa, uma inconsistência no traço do concreto foi encontrada antes de seguir adiante. Numa fábrica, uma anomalia percebida durante a inspeção pode dar tempo para comprar peças e programar uma intervenção antes que a máquina pare. Em um sistema de criação de peixes, a água conservava a aparência normal, mas as medições revelaram uma alteração que exigia resposta. O erro chama atenção, enquanto a prevenção quase sempre desaparece. É por esse trabalho, cujo resultado pode ser justamente evitar que algo aconteça, que a reportagem marca o Dia Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, celebrado hoje, 23 de setembro, a partir de experiências no Instituto Federal de Sergipe (IFS). O conhecimento técnico permite identificar um desvio antes que ele avance, mas a decisão tomada nesse momento pode alcançar muito além do equipamento, do material ou do procedimento. Ela interfere nas condições de trabalho de uma equipe, nos recursos empregados e na vida de quem depende do resultado. Há uma parte da formação profissional que se revela precisamente aí, quando alguém aprende a compreender o que está em jogo antes de decidir o que fazer.

Uma falha que chega a acontecer raramente afeta apenas o equipamento, o material ou o serviço em que foi identificada. Quando uma máquina para sem aviso, há pessoas que precisam interromper o que faziam, reorganizar a jornada e trabalhar sob a pressão de resolver o problema. Uma medida incorreta pode atravessar as etapas de um projeto até alcançar quem utilizará o espaço construído. Entre o primeiro sinal e essas consequências existe um tempo em que alguém ainda pode investigar, conferir o que sabe e tomar outra decisão. É nesse momento que o conhecimento técnico revela uma dimensão menos visível: compreender o próprio trabalho exige considerar também as pessoas que serão alcançadas por ele, inclusive aquelas que nunca saberão que houve um problema a evitar. A máquina que não parou e o erro que não avançou contam apenas parte dessa história. A outra parte está nas condições de trabalho preservadas, nas necessidades consideradas antes da construção e na responsabilidade assumida por quem percebeu que era preciso agir.

O 23 de setembro oferece uma medida histórica para essa discussão. A Lei nº 14.139, de 2021, instituiu nessa data o Dia Nacional da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O dia remete a 23 de setembro de 1909, quando o Decreto nº 7.566 criou 19 Escolas de Aprendizes Artífices, destinadas ao ensino profissional primário e gratuito: o Ministério da Educação considera esse ato um marco da EPT como política pública no país. Desde 2009, a mesma data também é reconhecida por lei como Dia Nacional dos Profissionais de Nível Técnico. Em Sergipe, a história institucional do próprio IFS alcança esse ponto: a Escola de Aprendizes Artífices de Sergipe foi criada pelo decreto de 1909 e iniciou suas atividades em 1911, compondo uma das trajetórias que, décadas depois, chegariam ao Instituto Federal. Mais de um século separa as oficinas previstas naquele documento das tecnologias presentes hoje nos campi, mas a relação entre conhecimento e trabalho continua no centro dessa história.

O tempo de quem trabalha

franklin.jpgNa rotina industrial de Franklin Oliveira Liborio, estudante do Técnico Subsequente em Eletromecânica do Campus Lagarto, prevenir pode significar olhar para uma máquina que ainda funciona. Durante as inspeções no ambiente onde trabalha, ele verifica folgas nas estações e válvulas de segurança de uma sopradora automática rotativa BLOMAX 10, equipamento utilizado para transformar peças de plástico previamente moldadas e aquecidas em garrafas PET, como as usadas para embalar água, refrigerantes e outras bebidas. A atenção está voltada para aquilo que o equipamento ainda consegue fazer, mas que pode apresentar sinais de alteração antes de uma falha. Franklin conta que a formação em Eletromecânica refinou procedimentos que já faziam parte de sua experiência, sobretudo a maneira de conduzir inspeções, observar intervalos entre falhas e interpretar o comportamento de equipamentos como motores, exaustores, esteiras e sistemas pneumáticos.

Esse olhar altera também o momento em que a manutenção entra na rotina. Franklin explica que uma anomalia encontrada durante uma inspeção pode gerar uma ordem de serviço e levar a uma intervenção preventiva ou a uma correção programada, em vez de deixar que o problema chegue à parada inesperada. Isso abre tempo para providenciar peças, organizar a equipe e aproveitar uma troca de turno ou outra interrupção já prevista para realizar o serviço. O conhecimento técnico não elimina a possibilidade de falha, mas permite que determinadas decisões sejam tomadas antes de a urgência impor seu próprio ritmo ao trabalho. Há uma diferença importante entre uma equipe que pode se preparar para executar um serviço e outra que precisa encontrar uma solução enquanto a máquina já está parada.

Franklin também chama atenção para as consequências de uma parada inesperada sobre os trabalhadores. “É uma diferença que nos custa muito. Deixar parar não é só perda de produção. É, sim, uma perda muito grande financeira, mas também tem o lado da sobrecarga dos colaboradores sob pressão para liberar uma máquina, hora extra que podem fazer por consequência de não produzir e, para a empresa, muito mais gastos em fazer tudo às pressas”, relata. Para quem precisa executar o reparo, a falha pode significar interromper outras tarefas, prolongar a jornada e trabalhar sob a pressão de devolver o equipamento ao funcionamento o mais rápido possível. Quando a necessidade de manutenção é percebida com antecedência, existe a possibilidade de organizar o serviço em outras condições, com tempo para providenciar o material e distribuir as atividades entre os envolvidos. O resultado da prevenção, nesse caso, vai além da máquina que continua funcionando: está também na urgência que pode deixar de recair sobre quem trabalha. São efeitos que dificilmente serão percebidos por quem encontra o equipamento em operação e desconhece as decisões tomadas antes da possível parada. Em outro ambiente, longe dos motores e das linhas industriais, reconhecer um problema a tempo exige atenção a sinais que nem sempre podem ser vistos.

O que a água não mostra

yure.jpgNo Campus São Cristóvão, Yure Damasio aprendeu que a aparência pode ser uma informação insuficiente. Egresso do Técnico em Aquicultura e atualmente estudante de Agronomia, ele participou como bolsista de atividades em aquaponia nas quais acompanhava parâmetros como pH, oxigênio e alcalinidade. Em uma das situações que recorda, peixes começaram a morrer durante a primeira semana após serem colocados no sistema, numa média aproximada de dois por dia. A água, segundo ele, não apresentava visualmente algo que explicasse a perda. As medições apontaram baixa salinidade. A partir daí, o grupo calculou a diferença entre a condição encontrada e a pretendida, considerou o volume de água e realizou a correção gradualmente. Yure relata que, depois de normalizado o parâmetro, as mortes cessaram. “A água aparentemente normal não estava normal, e eu passei a entender como fazer para ela ficar normal”, resume. O que os olhos não separavam na superfície passou a existir como número, relação e possibilidade de intervenção.

Em outra ocasião, o aviso apareceu no comportamento dos próprios animais. Peixes mantidos num tanque de reserva começaram a nadar próximos à superfície e abrir a boca em busca de ar. O sistema estava sem bomba de aeração e a medição apontou queda no oxigênio dissolvido. Yure conta que foi feita uma oxigenação emergencial por movimentação da água até que o equipamento pudesse ser instalado e, depois disso, o comportamento se normalizou. A observação coincide com o que órgãos técnicos descrevem sobre a qualidade da água na piscicultura. A Embrapa aponta o oxigênio dissolvido como variável essencial à respiração, sobrevivência e crescimento dos peixes e recomenda seu monitoramento durante o cultivo. Em Sergipe, o Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe também o inclui entre os parâmetros críticos da criação, relacionando níveis insuficientes a estresse e mortalidade. A água pode continuar transparente, conservar cor e aparência, e ainda assim exigir uma decisão que depende de algo que precisa ser medido.

Yure já criava peixes havia cerca de seis anos quando entrou no curso e não descreve a formação como substituição do que conhecia. A diferença, para ele, está na possibilidade de explicar e diagnosticar. “Quem trabalha na prática, sem a parte técnica, tem o saber de como acontece. Quem tem a parte técnica, sabe o porquê acontece”, analisa. As medições, nesse processo, não se encerravam nos números registrados durante a análise. Era preciso relacioná-los às condições em que os peixes viviam e decidir o que fazer com a água da qual dependiam. Diante de uma alteração, Yure procura primeiro identificar o problema, depois buscar a causa e só então intervir. Uma queda de oxigênio, por exemplo, pode exigir atenção à aeração, à matéria orgânica ou à alimentação, enquanto uma alteração de salinidade pede outro tipo de análise. “O que eu aprendi é que na aquicultura a gente não espera o peixe morrer para agir. A gente tem que olhar o comportamento, medir os parâmetros e decidir rápido. O peixe avisa na água antes de morrer”, afirma o estudante, segundo o qual, no episódio da salinidade, as primeiras perdas já haviam ocorrido quando as medições revelaram o problema, mas as mortes cessaram após a correção. Em outros processos, porém, uma alteração pode ser encontrada antes mesmo de produzir seu primeiro efeito.

O erro que não avançou

thiago.jpgDurante um projeto de pesquisa no Campus Estância, Thiago Santos, estudante de Engenharia Civil, e um colega perceberam que havia um erro na quantidade de materiais usados para preparar o concreto. A descoberta ocorreu a tempo de rever a mistura antes de dar continuidade ao trabalho. Em vez de seguir adiante, retomaram o procedimento e analisaram com mais cuidado os requisitos que precisavam atender, entre eles a relação água-cimento, parâmetro que Thiago associa à resistência e à durabilidade do concreto. A revisão conjunta permitiu que encontrassem uma solução antes de dar continuidade ao trabalho. “Essa atuação conjunta com o meu amigo, meu colega de equipe no projeto de pesquisa, permitiu que um erro que passaria despercebido fosse visto, verificado e corrigido depois”, relata. O problema ainda estava numa etapa em que os dois podiam voltar aos dados, discutir o que haviam feito e corrigir o procedimento. O trabalho em equipe, nesse caso, foi parte do caminho que impediu a inconsistência de avançar.

Para Thiago, desconfiar de que alguma coisa está errada é apenas o começo. Na construção civil, nem tudo o que parece fora do lugar representa necessariamente um erro. Por isso, antes de corrigir um procedimento, é preciso conferir medidas, consultar as orientações técnicas e compreender como o trabalho foi executado. Thiago cita o uso de instrumentos como a trena, para medir distâncias, e o prumo, para verificar se uma estrutura está na posição vertical correta. São recursos que permitem substituir a avaliação feita apenas pelo olhar por uma verificação mais precisa. O mesmo cuidado vale para a preparação do concreto e para outras etapas de uma obra, nas quais um detalhe ignorado pode comprometer o trabalho que virá depois. A experiência no projeto de pesquisa mostrou a Thiago que essa atenção também depende da troca de conhecimentos entre as pessoas envolvidas. Foi ao rever a mistura com um colega que ele conseguiu identificar e corrigir o erro antes de dar continuidade ao procedimento. “É preciso ter uma equipe boa, de saber dialogar e de revisar com o seu colega. Esse trabalho conjunto é fundamental”, afirma.

A revisão feita por Thiago e seu colega permitiu corrigir o erro enquanto ainda trabalhavam na preparação do concreto. Na construção civil, porém, as decisões tomadas antes da execução vão além dos materiais e dos procedimentos empregados na obra. A segurança de quem trabalha, o uso dos recursos e as necessidades das pessoas que ocuparão o espaço também precisam ser considerados. Thiago passou a observar essas relações ao longo da formação em Engenharia Civil, incluindo os impactos sociais e ambientais de uma construção. Esse cuidado começa muito antes de uma parede ser levantada. Uma medida registrada no levantamento de um terreno pode orientar as dimensões de um projeto, assim como as características de quem utilizará o imóvel precisam ser conhecidas antes que os ambientes sejam desenhados. Antes de uma família atravessar uma porta, existe uma medida registrada no desenho.

O futuro no projeto

glória jpg.jpgNo Campus Estância, Glória Santos Lima, estudante do terceiro ano do Técnico Integrado em Edificações, participou de uma atividade de medição de um terreno e de elaboração de um relatório com os dados obtidos. Uma dimensão registrada de forma incorreta, explica a aluna, poderia seguir para o projeto e provocar diferenças entre o espaço planejado e aquele que seria construído. Em outro trabalho, a preocupação com o que pode acontecer depois ganhou uma dimensão diretamente ligada à vida das pessoas. Para o projeto que seu grupo prepara para apresentar na Feira de Integração Científica (FEICE) do campus, os estudantes receberam o desafio de projetar uma moradia para uma família que tem, entre seus integrantes, dois idosos e um neto usuário de cadeira de rodas. A partir dessas necessidades, passaram a considerar rampas, corredores mais largos, banheiro com espaço para circulação e pias em alturas diferentes. O grupo também levou em conta que as condições físicas dos idosos podem mudar com o passar do tempo. Pensar nessas possibilidades agora significa procurar soluções enquanto a casa ainda está no projeto, antes que uma dificuldade de circulação ou de uso dos ambientes seja encontrada pelos moradores. É por isso que, para Glória, projetar vai muito além de desenhar.

A lógica que aparece nessa atividade faz parte da organização do curso, explica Maria Simone Morais Soares, coordenadora dos cursos integrados do Campus Estância. Em Edificações, estudantes passam por conteúdos relacionados a saúde, meio ambiente e segurança do trabalho, topografia, desenho assistido por computador e, nos anos seguintes, projetos arquitetônicos e complementares. Em atividades de levantamento cadastral, por exemplo, área, perímetro e condições de uma construção existente precisam ser conhecidos antes de uma proposta de reforma. Em projetos posteriores, características do terreno, condições climáticas e urbanísticas e necessidades de quem utilizará o espaço antecedem o pré-dimensionamento.

Maria Simone cita ainda exercícios de habitação progressiva, nos quais é preciso considerar a composição atual da família e as possibilidades futuras de ampliação. A coordenadora explica que a formação integrada tira o problema do papel ao aproximar os conhecimentos de diferentes disciplinas de situações concretas. Em vez de encerrar o aprendizado na resolução de uma equação ou na elaboração de um desenho, o estudante precisa usar o que aprendeu para tomar decisões sobre um projeto que considera as condições do terreno e as necessidades de quem utilizará o espaço. O cálculo continua sendo necessário, mas seu resultado passa a fazer parte de uma escolha cujas consequências poderão ser sentidas fora da sala de aula.

O princípio alcança também objetos que parecem distantes de terrenos e estruturas. João Victor Pascon, egresso do Técnico Integrado em Manutenção e Suporte em Informática e atual estudante de Ciência da Computação do Campus Itabaiana, lembra de um computador que ligava, não apresentava vídeo e emitia sinais que inicialmente apontavam para a memória RAM. Ele limpou componentes, fez substituições e prosseguiu nos testes até localizar outra causa: um pino do processador estava torto e provocava mau contato. O episódio resume uma diferença que João passou a perceber entre tentar soluções sucessivas até alguma funcionar e construir um diagnóstico a partir dos sintomas apresentados pela máquina. Na informática, os sinais podem caber num ruído, numa sequência de inicialização, numa pequena alteração de hardware ou num detalhe de sistema. A escala muda, mas o raciocínio guarda semelhança com a inspeção industrial, a análise da água ou a revisão de uma medida: encontrar o problema exige resistir à primeira explicação disponível e acompanhar os indícios até que eles formem uma causa tecnicamente sustentada.

O valor do que não acontece

Essas experiências pertencem a uma modalidade que alcançou 3,1 milhões de matrículas no país em 2025, segundo o Censo Escolar divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No mesmo levantamento, 20,1% dos estudantes do ensino médio da rede pública estavam matriculados na educação profissional, ante 11,5% em 2021. Os números dimensionam a presença da EPT, mas dizem pouco, sozinhos, sobre o que ocorre no interior de uma decisão técnica. Para Sônia Albuquerque, diretora do Campus Estância e docente do Mestrado em Educação do IFS, o estudante aprende mais do que a sequência necessária para executar uma tarefa quando compreende que sua escolha pode repercutir na segurança de outras pessoas, no uso de recursos ou na continuidade de um serviço. O aluno passa, segundo a docente, a reconhecer o processo em que seu trabalho está inserido, perceber sinais de que algo pode sair do previsto e agir antes que a situação produza consequências maiores.

Sonia 1“A responsabilidade deixa de estar apenas na execução de uma tarefa e passa a fazer parte da própria decisão profissional”, afirma Sônia. É nesse deslocamento que ela situa o trabalho como princípio educativo: não apenas lugar de aplicação de conhecimentos, mas espaço em que se compreende a realidade e também se produz conhecimento sobre ela. Ao explicar a formação humana integral, Sônia aponta a articulação entre ciência, tecnologia, trabalho e cultura e diz que a formação profissional não se limita ao domínio dos procedimentos necessários a uma atividade. Também envolve compreender seus fundamentos, as condições em que uma decisão é tomada e as consequências que dela podem decorrer. Por isso, destaca situações formativas em que o estudante precisa investigar problemas, relacionar conhecimentos e tomar decisões fundamentadas. A definição poderia parecer distante de uma válvula, de um tanque, de uma mistura de concreto ou de um processador. Nas experiências dos estudantes, porém, ela ganha matéria justamente nesses momentos em que fazer alguma coisa exige primeiro compreender o que está acontecendo.

Alguns trabalhos deixam marcas visíveis quando dão certo: uma parede concluída, uma peça fabricada, um programa em funcionamento, uma produção entregue. Outros realizam parte de seu valor na ausência daquilo que poderia ter acontecido. A sopradora continua operando e ninguém vê a parada que não veio. A inconsistência permanece restrita ao cálculo porque foi percebida antes de seguir para outra etapa. A água volta aos parâmetros acompanhados no cultivo e o sinal que poderia terminar em mais perdas é tratado enquanto ainda pode orientar uma decisão. Uma medida conferida continua sendo apenas um número no projeto, enquanto um defeito localizado deixa de exigir tentativas sem direção. É possível que quem encontre depois a máquina funcionando, o espaço construído, os peixes no tanque ou o computador ligado jamais saiba que houve alguma coisa a evitar. Entre a possibilidade e a consequência, porém, houve observação, conhecimento, revisão e escolha. Muitas vezes, é justamente esse intervalo que permite ao trabalho técnico desaparecer aos olhos de quem só perceberia sua falta.

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página