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CORES & TONS

Projeto Tintas do Sertão dá cores ao Campus Poço Redondo

Publicado: Quarta, 07 de Janeiro de 2026, 12h28 | Última atualização em Quarta, 07 de Janeiro de 2026, 12h28

Objetivo é mostrar que os solos do sertão sergipano podem gerar cor, criatividade e expressão

Por: Anderson Ribeiro

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.26.54Já imaginou criar murais e outras obras de arte colorindo apenas com argila? Pois é, por meio de um projeto desenvolvido no campus Poço Redondo, no alto sertão sergipano, isso foi possível. O que começou como um projeto dentro do projeto integrador do curso técnico em Zootecnia, expandiu-se para todo o campus.

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.26.55De acordo com a professora Priscila Lira de Medeiros, o “Tintas do Sertão” surgiu inspirado em projetos semelhantes que já existem em outros institutos e universidades do país, que produzem tintas naturais a partir de solos. “A ideia foi trazer essa tecnologia para o Sertão de Sergipe e mostrar que os solos da nossa região também podem gerar cor, criatividade e expressão”, enfatizou.

O início

Tudo teve início com a professora de Química, Marcela Arantes Meirelles. Ela decidiu iniciar um projeto voluntário nessa temática e convidou a professora Priscila Medeiros, da disciplina de Edafologia e Fertilidade do Solo, para compor a equipe junto com as alunas Lohanny Silva e Hemilly Silva, do curso técnico de nível médio em Zootecnia. “Sou formada em Engenharia Agrônoma e doutora em Ciência dos Solos e Meio Ambiente. Estudo solos desde a graduação até o doutorado, então ela me chamou justamente pela minha experiência na área, o que facilitou muito essa integração. A ideia inicial era unir Química e conhecimentos sobre solos usando materiais simples do entorno do campus Poço Redondo”, salientou Priscila.

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.22.43O que era para ser uma atividade pontual acabou tomando um caminho bem maior. Desde o início, ainda segundo Priscila Medeiros, elas tinham uma situação complicada: como conseguir produzir tintas a partir do solo do campus, já que a predominância é areia? O bom é que essa limitação não desanimou as professoras e juntas saíram a campo fazendo diversos testes. “Quando analisamos os solos do campus percebemos que provavelmente seria difícil produzir boas tintas usando apenas essas amostras, porque lá predominam rochas ácidas, que geram solos muito arenosos e com pouca argila. Isso naturalmente limita a cobertura e a variação de cor. Durante os testes, parte dessa expectativa se confirmou. Os solos são realmente mais grosseiros e com tonalidades muito próximas entre si. Mesmo assim, conseguimos resultados interessantes. As formulações mais densas apresentaram melhor cobertura, sobretudo a feita com o horizonte B do Planossolo, que tem mais de argila. Já as formulações mais aquosas, no estilo aquarela, funcionaram melhor nos horizontes A, que possuem mais matéria orgânica e dispersam melhor as partículas”, explicou.

O processo

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.23.50Até agora, os testes diretos das tintas produzidas no projeto foram feitos em papel. Priscila Medeiros explica que a formulação depende muito da textura. “Solos mais grosseiros precisam de misturas mais densas, com menos água; solos mais argilosos funcionam bem com a proporção que adotamos nas oficinas com os alunos do campus, de aproximadamente 2 partes de solo, 2 de água e 1 de cola branca”.

Com o avanço do trabalho, o projeto evoluiu naturalmente para uma oficina de tintas de solos, ministrada com apoio do professor de Artes do campus Poço Redondo, Lucas Wendel. Nessa etapa, elas ampliaram bastante a diversidade de solos avaliados. “Além dos solos do próprio campus, incluímos materiais de outras regiões do Sertão, trazidos inclusive pelos alunos, de vários pontos de Poço Redondo e proximidades, além de também os Luvissolos de Nossa Senhora da Glória, que são mais argilosos e geram tintas com tons alaranjados e avermelhados muito bonitos. Essa ampliação enriqueceu a oficina e permitiu comparar, na prática, o comportamento de solos com texturas diferentes”, disse Priscila.

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.26.57O resultado

Depois da oficina, foi a hora de colocar em prática o que aprenderam. Os alunos do curso técnico integrado em Zootecnia, junto ao professor Lucas Wendel, criaram um painel na parede do campus, como parte das ações do próprio Projeto Integrador. A intenção foi fazer uma intervenção artística para receber os visitantes na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cuja abertura aconteceu em novembro do ano passado na chamada etapa Sertão e, claro, apresentar visualmente a proposta trabalhada no projeto.

O resultado foi um grande painel inspirado nas xilogravuras e suas temáticas do sertão. “O Tintas do Sertão acabou se tornando uma forma muito bonita de unir ciência, arte e território. Ele mostra que os solos daqui também carregam cor, história e potencial criativo. Além disso, outros professores utilizaram as tintas produzidas no projeto para confeccionar maquetes, o que ampliou ainda mais o uso do material dentro do campus e mostrou que as tintas têm potencial para diferentes aplicações pedagógicas”, destacou Priscila Medeiros.

O futuro

WhatsApp Image 2026 01 07 at 11.26.58Para as próximas etapas, as professoras querem aperfeiçoar as formulações, testar as tintas em novas superfícies e transformar o Tintas do Sertão em um projeto de extensão, voltado à arte, sustentabilidade e uso comunitário. “A ideia é que mais pessoas possam aprender a produzir tintas com os solos do próprio território, fortalecendo identidade, autonomia e pertencimento. O projeto nasceu pequeno, mas hoje carrega um significado muito grande para nós, para os estudantes e para a comunidade que nos acompanha. Fico realmente feliz em compartilhar esse trabalho e em ver o Sertão sendo valorizado também pela sua cor, pela sua criatividade e pela ciência que fazemos aqui”, finalizou Priscila Medeiros.

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