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PARTICIPAÇÃO

Com teatro e podcast, alunos encerram a JAE e entregam pacote de propostas para assistência estudantil

Escrito por GERALDO BULHOES BITTENCOURT FILHO | Publicado: Quinta, 12 de Fevereiro de 2026, 15h39

IMG 0718Evento reuniu 92 estudantes de diferentes campi em Aracaju e terminou com votação de um documento dividido em cinco eixos, que será encaminhado à gestão do IFS

No estúdio improvisado no Delmar Hotel, na Orla de Atalaia, em Aracaju, a estudante da graduação em Gestão da Tecnologia da Informação, do Instituto Federal de Sergipe, Campus Propriá, Thaislane Vitória Leite Santana, viveu um papel diferente do habitual: no podcast criado para o encerramento da II Jornada de Assistência Estudantil (JAE), ela interpretou uma “especialista” no tema do assédio, respondendo às perguntas feitas por apresentadores e participantes, como se estivesse em uma entrevista ao vivo. A experiência exigiu transformar um assunto pesado em conversa objetiva e útil. “Quando decidimos fazer o podcast, surgiram muitas ideias, pois o assunto em si é muito complexo”, disse a aluna, ao explicar que o grupo escolheu não se prender à explicação do problema, mas às saídas possíveis. O resultado foi a principal marca do último dia do evento: apresentações culturais com teatro, poemas, cordel, música, tirinhas e podcasts e a finalização de um documento de propostas construído pelos estudantes para orientar ajustes na política de assistência estudantil do IFS.

A diretora de Assuntos Estudantis do IFS, Luciana Bittencourt, avaliou que a jornada ganhou relevância justamente por colocar os alunos no centro da discussão. “Os participantes passaram a entender especificamente do que cada ponto da política se tratava e, a partir disso, ajudaram a construir um texto com diagnósticos e sugestões”, disse. Ela afirmou que, ao longo dos quatro dias, a equipe buscou trazer setores do instituto para responder às dúvidas e demandas apresentadas pelos estudantes, em uma dinâmica que combinou explicações técnicas e escuta organizada. Entre os temas que mais mobilizaram o grupo, segundo Luciana, estiveram a compreensão do funcionamento da alimentação escolar e dos refeitórios, com esclarecimentos sobre como seriam as construções, valores e critérios de atendimento, além de um momento dedicado a direitos e deveres dos alunos, quando os 92 estudantes receberam o regulamento e participaram de um quiz para entender como regras e garantias se relacionam no cotidiano do campus.

IMG 0649O roteiro do encontro misturou formação institucional e momentos conduzidos pelos alunos, com participação de núcleos e setores chamados para responder às pautas levantadas pelos estudantes. Luciana citou atividades com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) e o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), acionados após questionamentos sobre racismo e sobre a realidade de alunos com deficiência, além de momentos reservados para que os próprios participantes se reunissem à tarde e, no encerramento, votassem os encaminhamentos. 

A costura final do encontro aconteceu longe do microfone, na sala onde os estudantes passaram a manhã votando o texto coletivo que pretendem entregar à gestão. Érick Arthur Silva de Lima, 19 anos, estudante da licenciatura em Química do campus Aracaju, resumiu o espírito do processo: as plenárias serviram para que os alunos se ouvissem e formulassem “falas” sobre problemas que, segundo ele, nem sempre a administração enxerga no cotidiano. O documento, explicou, foi dividido em cinco eixos - bandejão, assistência estudantil, transporte, mobilização estudantil e formação -, com um debate que ele descreveu como equilibrado, mas com dois pontos puxando mais peso: assistência e alimentação. “A gente fala de permanência, né? O aluno precisa estar bem alimentado e ter o auxílio para conseguir se manter no curso e não evadir”, afirmou. Na parte da mobilização, a proposta defendida pelos estudantes é que o instituto fomente a criação de grêmios onde não há e fortaleça representações onde elas existem apenas no papel: “A gente viu aqui que tem muitos campi que ainda não têm uma representação estudantil forte e organizada”, disse Érick, ao justificar o pedido de suporte institucional para que os alunos consigam se organizar.

Caminhos para a denúncia

O tema do assédio, que dominou as produções culturais do último dia, atravessou também as discussões com a gestão. Luciana afirmou que estudantes relataram situações de assédio sexual e moral já vividas ou presenciadas dentro do instituto e pediram orientação. A resposta incluiu participação de setores convidados e a entrega de um “passo a passo” para uso da ouvidoria do Fala.BR como canal de manifestação e denúncia. As apresentações do encerramento, disse a diretora, foram registradas e serão levadas depois aos campi, em uma circulação que será planejada para ampliar o alcance do debate e mostrar que o tema não vai terminar quando o evento for concluído.

IMG 0673Nem tudo, porém, foi elogio. A própria organização identificou um ponto frágil: apesar de os alunos terem trabalhado em grupos misturados, faltou tempo para convivência e troca pessoal entre estudantes de campi diferentes. Ainda assim, para quem viveu a jornada, a experiência de encontrar outras realidades já valeu a viagem. Kauanne Marielly, de 17 anos, estudante do curso de Eletrotécnica do Campus Propriá, disse que a convivência com alunos de outras unidades ampliou sua visão sobre o próprio instituto. “A gente pôde conhecer realidades diferentes da nossa e essa troca de experiência foi muito gratificante”, disse. No retorno ao campus, a estudante leva na bagagem uma certeza simples, mas poderosa: quando alunos de realidades distintas se encontram e comparam o que vivem, a assistência estudantil deixa de ser uma sigla e vira um compromisso cobrado em voz alta.

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