Ciclo de jornadas acadêmicas aproxima estudantes de diferentes níveis de ensino
Com uma multiplicidade de formatos de difusão do conhecimento, evento promoveu uma verdadeira imersão tecnológica que integrou todos os cursos do campus
Palestras, minicursos, competições do conhecimento e muita imersão tecnológica. Entre os dias 8 e 17 de junho, o Instituto Federal de Sergipe (IFS) - Campus Lagarto realizou um ciclo de jornadas acadêmicas que reuniu estudantes, professores e pesquisadores em uma programação voltada à troca de conhecimentos, à inovação e à integração entre os cursos técnicos e superiores da instituição.
Ao longo de uma semana, a comunidade acadêmica participou de atividades que contemplaram diferentes áreas do conhecimento, incentivando o desenvolvimento científico, tecnológico e interdisciplinar. A iniciativa teve como principal objetivo aproximar estudantes de diferentes níveis de ensino e fortaleceu a formação acadêmica por meio de experiências práticas e colaborativas.
Um dos destaques da programação foi a palestra sobre tijolos ecológicos, a qual abordou alternativas sustentáveis para a construção civil e destacou a importância da adoção de práticas ambientalmente responsáveis e tecnicamente seguras. O momento proporcionou reflexões sobre inovação, sustentabilidade e o papel da tecnologia na busca por soluções para os desafios contemporâneos. Especialista no tema, o engenheiro civil Rogério Souza expôs os principais pontos positivos e negativos da tecnologia e dirimiu dúvidas do público presente, sobretudo no quesito resistência e segurança do produto.
A jornada contou ainda com a mostra de projetos de pesquisa na área de engenharia elétrica e automação industrial, a qual apresentou trabalhos desenvolvidos por estudantes e docentes do campus. A atividade possibilitou a divulgação de soluções inovadoras, pesquisas aplicadas e iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, promovendo, assim, o diálogo entre pesquisadores e visitantes. Para a estudante Cyntia Priscilla Batista, do curso técnico integrado em Automação Industrial, a participação no ciclo de jornadas chamou a atenção pela demonstração concreta da aplicabilidade dos modelos teóricos em protótipos reais.
A propósito, Cyntia apresentou um projeto sobre um dispositivo vestível em formado de pulseira ergonômica voltado para o monitoramento contínuo de sinais vitais em pacientes em assistência domiciliar. “O sistema possibilita o histórico dos parâmetros de saúde em intervalos configuráveis e um mecanismo de alertas automáticos para alterações no quadro clínico do paciente, otimizando o atendimento domiciliar e garantindo a segurança do paciente no ambiente doméstico”, explicou a aluna.
Já a maratona de programação, direcionada principalmente a estudantes de Redes de Computadores e Sistemas de Informação, mobilizou os participantes ao estimular o raciocínio lógico, o trabalho em equipe e a capacidade de resolução de problemas. Durante a competição, os competidores enfrentaram desafios computacionais que exigiram criatividade, conhecimento técnico e agilidade na elaboração de soluções. As medalhas entregues como premiação foram apenas um item simbólico do incentivo e da motivação para aprender que os organizadores quiseram despertar nos estudantes.
Encerrando as atividades de forma dinâmica e interativa, a competição de catapultas, organizada pelas coordenadorias de Eletromecânica, reuniu equipes em uma disputa baseada na aplicação prática de conceitos de física, engenharia e matemática. Ao projetarem e construírem seus próprios dispositivos, os participantes colocaram em prática conhecimentos adquiridos em sala de aula e demonstraram criatividade e espírito colaborativo.
Verticalização do ensino
A integração entre estudantes dos cursos técnicos e superiores durante o ciclo de jornadas acadêmicas evidenciou uma das principais características da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica: a verticalização do ensino. Presente nos institutos federais de todo o país, esse modelo permite que o estudante percorra diferentes etapas de formação dentro da mesma instituição, desde a educação profissional técnica de nível médio até a graduação e a pós-graduação. A proposta busca garantir continuidade nos estudos, ampliar oportunidades de qualificação e fortalecer a produção de conhecimento articulada às demandas da sociedade e do mundo do trabalho.
Nos institutos federais, a integração entre ensino, pesquisa e extensão contribui para que estudantes do ensino técnico participem de projetos científicos e tecnológicos ao lado de graduandos e professores pesquisadores. Essa dinâmica amplia o contato com metodologias de pesquisa, estimula a inovação e incentiva a permanência dos jovens na formação acadêmica.
Para o Diretor Geral do campus, o professor Ricardo Monteiro, muito mais do que a possibilidade de verticalização, a convivência de diferentes níveis em um mesmo ambiente de ensino oferece aos estudantes uma experiência de intercâmbio de conhecimento que é peculiar aos institutos federais. “É claro que o aluno de Redes de Computadores pode vir a querer cursar Sistemas de Informação, o de Automação Industrial ou Eletromecânica pode vir a cursar Engenharia Elétrica e o de Edificações pode se tornar estudante de nosso curso de Arquitetura. Mas não é uma condição. A formação crítica os deixa livres para fazerem suas escolhas. O mais importante é que eles tenham essa experiência formativa que os amadureça para a pesquisa e a extensão, muito além da sala de aula”, frisou o diretor.
Esse é o caso, por exemplo, da aluna Cyntia Priscilla Batista. Participante de um grupo de pesquisa composto por alunos de diferentes cursos e níveis, ela destaca o papel colaborativo dos integrantes e da coordenadora do grupo. Foi, inclusive, a partir das discussões e dos projetos em andamento no laboratório que ela confirmou um interesse anterior ao ingresso no grupo, que é o de seguir carreira na área de Engenharia Biomédica, área que possui certa relação com o projeto de pesquisa que ela desenvolve atualmente. “O intercâmbio de conhecimento acontece de forma espontânea entre nós no laboratório. Como pesquisadores e estudantes, cada um possui o seu diferencial e uma área de aplicação específica, o que faz com que sempre tenhamos algo a aprender e a ensinar uns aos outros”, destacou Cyntia.
Além de possibilitar uma trajetória educacional contínua, a verticalização também favorece a otimização da infraestrutura, dos laboratórios e do corpo docente, pois cria ambientes de aprendizagem mais colaborativos e multidisciplinares. Dessa forma, estudantes têm acesso a experiências que extrapolam os limites da sala de aula e contribuem para o desenvolvimento de competências técnicas, científicas e humanas.


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